João Anatalino

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MAÇONARIA- ZOROBABEL, MESTRE MAÇOM
 

ZOROBABEL, O ATERZATA
                        
 “Vinde e restauremos os muros de Jerusalém. Não sejamos mais objeto de opróbrio para os nossos inimigos.” Esdras, 2:18.
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Reconstruir Jerusalém, essa foi a missão,
Que o Senhor deu ao rabino Zorobabel.
Pois que então um novo pacto de união,
Seria estabelecido com o povo de Israel.



E para fazer a tarefa que Deus lhe dava,
A Maçonaria israelense estava preparada.
Se em uma das mãos a trolha manejava,
Na outra tinha prontos escudo e espada.
 
Assim o novo e belo templo foi erguido,
No lugar do antigo que bárbaros caldeus
Com selvageria haviam um dia destruído.   


Pois Deus favorece a quem sua lei acata,   
E dessa nova Loja fundada pelos judeus,
Zorobabel se tornou Poderoso Aterzata.
 
 
    Aterzata é um título que os Irmãos encontrarão quando galgarem graus mais altos na maçonaria, especialmente os da chamada Loja Filosófica. Esse título vem uma bela história contida na Bíblia. É a história da reconstrução de Jerusalém, após a volta do cativeiro da Babilônia, tema esse muito caro a todos os maçons.
 
Conexão histórica
 
Os registros históricos dizem que os territórios governados pelo império persa foram divididos em províncias denominadas satrápias. E que para cada uma delas o imperador nomeou um governador (sátrapa), que respondia diretamente a ele. Na maioria dos casos o sátrapa era oriundo dos próprios povos conquistados, o que lhes conferia um elevado grau de autodeterminação, desconhecido em outras épocas. Esse fato foi registrado na própria Bíblia, no episódio em que o rei Dario II, chamado Assuero pelos judeus, permitiu que estes se armassem para se defender das tropas persas que pretendiam atacá-los, em razão das maquinações de Aman, seu pérfido primeiro ministro.[1]
 
                                                      Zorobabel
 
Zorobabel era um rabino judeu que gozava de certo prestígio na corte de Dario I, o rei persa. Os persas, diferente dos demais conquistadores, não procuravam impor aos povos conquistados a sua cultura. Desde que pagassem os tributos exigidos, cada povo podia conservar sua língua, sua religião e seus próprios costumes. Assim, os judeus, cativos na Babilônia conquistada pelo rei persa Ciro, o Grande, mantiveram lá a sua religião, e segundo acreditam muitos estudiosos, a maior parte do Antigo Testamento, tal como o conhecemos hoje, foi escrito durante esses cinquenta anos de cativeiro dos judeus na Babilônia.
Mas um dia Zorobabel conseguiu convencer o rei Dario I(sucessor de Ciro) a deixar os judeus voltarem para a Palestina para reconstruir Jerusalém. E principalmente o Templo de Salomão, que havia sido destruído pelos bárbaros caldeus. Segundo as crônicas de Esdras, o rei Dario não só permitiu como também ajudou Zorobabel nessa tarefa, fornecendo dinheiro e materiais para essa reconstrução.
     Foram muitas as dificuldades e os perigos enfrentados por Zorobabel e os Irmãos operativos nesse trabalho de engenharia maçônica, pois os habitantes da terra (árabes, amonitas, samaritanos e outros povos), que durante o cativeiro dos filhos de Israel haviam ocupado a região, atacavam constantemente os judeus repatriados. Por isso se diz que enquanto eles manejavam a trolha com a mão direita, na esquerda mantinham em guarda o escudo e a espada. [2]
As crônicas de Esdras dizem que naturais da terra tentaram provocar conflitos entre o povo de Israel e o rei da Pérsia levantando falsas acusações sobre os israelitas, dizendo que estes pretendiam libertar-se do império persa, não pagar os tributos devidos nem reconhecer a autoridade do rei. E depois, quando subiu ao trono o monarca conhecido como Xerxes I (Dario II), até uma acusação por escrito foi feita pelos samaritanos, de que uma rebelião se tramava em Jerusalém. [3]
Isso porque, a par dos trabalhos de reconstrução do Templo, os israelitas começaram a reedificar as muralhas da cidade (Arte Real operativa) e a reorganizar o povo de Israel como antigamente este vivia, numa grande Fraternidade, guiada pelos princípios e pela doutrina legada por Moisés (Arte Real especulativa).
O rei da Pérsia mandou então que se parassem as obras de reedificação da cidade e das muralhas, até que ele tivesse a certeza se os judeus queriam mesmo revoltar-se contra o império ou se tudo eram apenas maquinações perpetradas contra eles por vizinhos invejosos.
Coube a Zorobabel, com muita coragem, determinação e sabedoria, convencer o rei persa sobre as intenções pacíficas dos judeus, que só queriam praticar a Arte Real com liberdade, justiça e obediência estrita aos ditames do Grande Arquiteto do Universo. Por isso ele foi ao rei e demonstrou-lhe a verdade dos fatos.[4]
Foi também nesses dias que nasceu, entre aqueles antigos Irmãos, um anelo muito grande pela liberdade e pela moralidade nas relações sociais e políticas, pois os judeus, empobrecidos e aviltados pelo longo período no cativeiro, estavam vendendo os próprios filhos a quem pudesse pagar por eles, e aqueles que detinham governo e poder sobres outras pessoas começaram a cobrar delas pesados tributos, ameaçando-lhes a própria liberdade.[5]
                                                      
                                                       O Aterzata
 
De maneira que Zorobabel, feito líder e Venerável Grão – Mestre da nova nação dos judeus, conduzindo a Obra de restauração da cidade de Jerusalém, impôs regras rígidas de convivência entre os Irmãos. Nesse sentido, aboliu o instituto da servidão e a prática da usura; e conclamando a todos aqueles que tivessem dívidas com outros, que as pagassem segundo as suas condições de pagamento; e aqueles que não pudessem pagar em dinheiro ou bens, que o fizessem com trabalho, mas por um período certo de tempo para que não ficasse caracterizada a escravidão.
Esdras, em sua crônica da reconstrução de Jerusalém fala também das dificuldades enfrentadas por Zorobabel e por ele mesmo em relação à pobreza dos judeus, que queriam empenhar seus bens e até os próprios filhos para saldar as dívidas com a reconstrução da cidade e pagar os tributos que lhes eram cobrados pelas autoridades. Seu discurso contra essas práticas é um grande libelo contra a escravidão, a usura, o desinteresse pela causa comunitária, a opressão e a tirania.
Depois disso veio outra grande leva de judeus repatriados.  Isso aconteceu nos dias do rei Artaxerxes e os inimigos da Irmandade de Israel, temendo que eles se tornassem ainda mais fortes, armaram muitas ciladas pelo caminho, obrigando aqueles Irmãos a travar muitas batalhas.[6]
Nesses dias foram estabelecidas as regras éticas e morais que um bom governador deve seguir para realizar um governo justo e progressista, que sirva antes ao povo do que a ele próprio e aos seus familiares.[7]
Depois que os judeus acabaram os trabalhos de reconstrução da cidade, Zorobabel nomeou Hanani e Hananias, Vigilantes sobre a cidade, ordenando-lhes que as portas da cidade não se abrissem até que sol estivesse alto e que Irmãos Cobridores as vigiassem.[8]
E todo o povo que veio de Babilônia contava quarenta e duas mil, trezentas e sessenta pessoas. Essa foi a nova composição do Oriente de Judá, a qual elegeu como Grão-Mestre a Neemias. Nesse dia recebeu ele o nome de Aterzata, ainda hoje usado em reuniões das Lojas filosóficas dos maçons modernos.[9]
Assim, os Irmãos de Judá continuaram a praticar a Arte Real, de forma operativa e especulativa durante todo o tempo em que durou o império persa, porque os reis que governaram aquele império concediam liberdade política e de culto às suas províncias desde que elas pagassem em dia seus tributos e não houvesse rebeliões.[10]

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Notas
 
[1] Veja-se o Livro de Ester.
[2] Conforme descreve Neemias (4:17): “os que edificavam os muros, e os que acarretavam, e os que carregavam; com uma mão faziam a obra, e com a outra pegavam a espada.” Essa expressão foi utilizada pelo Cavaleiro De Ramsay, em seu famoso discurso de 1736, significando que o maçom deve ser, ao mesmo tempo, um operário construtor e um guerreiro.
[3] Xerxes I, ou Dario II, é citado na Bíblia pelo nome de Assuero. Foi em seu reinado que aconteceram os eventos descritos no Livro de Ester.
[4] Por isso é que a reconstrução de Jerusalém é utilizada nos ensinamentos maçônicos como uma alegoria da própria (re)construção da humanidade, destruída pelos vícios e pelo mau uso da sabedoria que o Grande Arquiteto do Universo nos deu.
[5]Todas essas referências são feitas nos rituais maçônicos, mas constam também das crônicas bíblicas. Vejam-se principalmente Esdras e Neemias, que falam sobre o estado caótico em que os judeus repatriados estavam vivendo na época.
[6] Os ensinamentos maçônicos se referem, especificamente, à famosa “Passagem da Ponte”, onde os judeus s tiveram que combater os inimigos que bloqueavam  sua passagem. A Bíblia diz que essa batalha se deu na passagem do Rio Aaava.
 [7] Essas são as razões pelas quais a maçonaria faz tantas referências ao tema de reconstrução do Templo de Salomão.
   [8] Neemias, 1;3. As correspondências aqui apontadas entre os judeus que reconstruíram Jerusalém e as tradições maçônicas são inspiradas nos rituais maçônicos. Evidentemente são meras analogias, uma vez que na estrutura montada por Zorobabel para o governo do povo judeu repatriado não existiam esses títulos.
   [9] Idem, 7; 65;66. Aterzata é uma palavra persa que significa “ o mais sábio”. Historicamente, era o título aplicado ao governador persa de Jerusalém, que acompanhou e ajudou Neemias e Zorobabel na reconstrução da cidade, quando os judeus voltaram do cativeiro da Babilônia. Na Maçonaria esse título é aplicado aos presidentes das Lojas capitulares, significando “aquele que reconstrói Jerusalém.” 
[10]Aqui temos uma evocação á tolerância religiosa e cultural, que é uma dos pilares da tradição maçônica. Nesse período, que durou cerca de duzentos anos, desde a conquista persa em 525 a C  até  334. a C., data da conquista do império persa pelos gregos e macedônios de Alexandre, os judeus viveram em relativa paz. Suas maiores dificuldades foram provocadas por suas próprias dissensões internas, como se pode inferir pelos escritos dos seus profetas. Nada diferente do que temos hoje em nossa própria Irmandade.
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 11/01/2014
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