João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


Capítulo V
 
Moisés e o monoteísmo
 
 
1 Antigas crônicas sustentam que Moisés, antes de fundar a Grande Irmandade dos Filhos de Israel foi membro da Sublime  Ordem dos Irmãos de Heliópolis  e  lá exercia  altas dignidades  quando descobriu ser realmente filho de pais he-breus; 1. O que muito o perturbou, pois ele percebeu o erro mortal em vivia, professando uma religião de muitos deuses. [1]
2. Ele viu que os hebreus, seus conterrâneos, adoravam um  único Deus, cujo Nome era de pronúncia desconhecida.1 Já os egípcios tinham uma infinidade de deuses, um para cada força da natureza ou habilidade humana ou ainda característica de animal.2 E dessa forma, havia muita confusão nas terras do Egito, pois cada região tinha seus próprios deu-ses e crenças diferentes, prejudicando a união daquele po-vo em uma única nação. 3 Em consequência eram comuns as guerras entre as diversas tribos e regiões do Egito.
3. Então Moisés despiu-se dos privilégios de príncipe, que gozava entre os egípcios e adotou o modo simples de vi-ver e pensar dos israelitas. 1 E foi assim que ele descobriu que o Grande Arquiteto do Universo , mesmo tendo múltiplas naturezas, era apenas UM; 2 Ou seja, uma Entidade Única, que apesar dos povos do mundo lhe dar os mais variados nomes, todos esses nomes nada mais são que representações de suas qualidades e atributos, pois que Ele, o Inominado, está em todas as coisas que criou.3 Ele, que era o Tudo que habitava no Nada,  distribuiu entre as suas variadas manifestações materiais os seus atributos e qualidades; 4 Aos seres humanos pelas suas qualidades e virtudes, aos ani-mais pelas suas características e aos elementos da Natureza as forças que nela atuam. 
4. Assim ele percebeu que todos os povos, na verdade, adoravam também um único Deus; 1 Mas na sua ignorância pensavam que havia muitos e variados deuses, que presidiam os mais diversos aspectos da vida na terra;2  E deram a Ele milhares de nomes e Dele fizeram diferentes representa- ções, figurando-o ora como um ser humano ora como    animal, ou ainda como seres híbridos, meio humanos, meio bestas, ou como elementos da natureza como o Sol,  a Lua, o Vento, o Rio etc.
 
O faraó Akehnaton
 
5. Ora, tudo isso aconteceu nos dias daquele faraó cujo nome era Amen-hotep, o quarto rei egípcio que adotou esse nome;1 O qual estava  em luta com os governadores das províncias egípcias, porque queria submetê-los ao seu poder e fazer  do Egito um estado único. [2]
6. Esse faraó reinava em Tebas, a capital do Baixo Egito; 1 E  nessa cidade,  o deus que os egípcios chamavam de Amon-rá, era o preferido daquele po-vo. 2 Ele era representado pelo disco solar, pois o sol, para todos os egípcios, era a energia que dava vida a todas as coisas na terra. 3 Por isso, aquele faraó entendeu que só conseguiria unir todos os egí-pcios em uma única nação se eles também tivessem um único entendimento a respeito de Deus. 4 Porque as guerras entre as tribos e cidades resultavam dessas diferenças entre as crenças. 5 Já que cada estado e cada cidade queria impor à outra o seu próprio deus.
 6 Assim, o faraó pensou que se unificada fosse a religião, a política também se unificaria.1 E foi quando ele ouviu que os hebreus que viviam no Egito eram fortes e numerosos porque tinham um único Deus,2 Que acreditavam ser potente e Único sobre todos os outros,3 e que esse deus também vivia na luz, como o deus que ele adorava, 4 o faraó quis aproveitar a idéia e resolveu adotar a religião do deus Único; 5 E mandou proclamar por todo o Egito que esse deus era o mesmo que habitava na face do sol;  6 Porque o deus que os egípcios chamavam de Amon-Rá era o deus de todo o universo, mas o nome certo dele era Aton.[3]
7. E logo baixou decreto mandando que em todas as terras do Egito se adorasse o deus Único que habitava na luz do Sol,1 porque Aton era o Deus universal e todos os outros nada mais que representações de seus atributos e qualidades.
8.  E mudou seu próprio nome para Akhenaton, que quer dizer o Filho do Sol, porque no Egito o faraó era considerado Filho de Deus. 
9. E mandou construiu para Ele um suntuoso Templo em Khut-Aton, a grande cidade que ele construiu para ser a sua capital, a cento e cinquenta léguas de Tebas, rio acima, no lugar que ele achava que o mundo tinha começado.
10. E logo mandou também que todas as representações e nomes dos outros deuses fossem apagados dos templos e monumentos que se erguiam no país e nos documentos que se escreviam no Egito 1 E somente o nome de Aton fosse mantido nesses monumentos e documentos.
11. E convidou Moisés, cujo nome egípcio era Thuáu, para ser o Sumo Sacerdote da nova religião;1 E deu-lhe por esposa sua filha mais velha Meritaten e por dote a cidade de Tcharú, onde ele reinou por dez anos e exerceu muito poder sobre os negócios do reino egípcio.[4]
12. E foi no Templo de Aton, em Khut-Aton, onde primeiro se praticou a divisão dos Obreiros em graus, que ainda hoje se utiliza na estrutura das Lojas dos Maçons:1 Pois ali, da mesma forma que nas Lojas de hoje, os sacerdotes e funcionários reais eram escolhidos no seio da sociedade egípcia pelos méritos que mostravam em seus estudos e nas atitudes da vida.
 
Maat, a harmonia universal
 
13. Nesses templos era ensinada a prática da Maat, como se chamava o viver de forma  virtuosa no antigo Egito.[5]
14 E os estudantes não só eram iniciados nos mistérios mais profundos da religião, mas também aprendiam os se-gredos da construção dos grandes edifícios, a prática da medicina e as artes da agricultura e da metalurgia,1 As quais tinham sido ensinadas aos ancestrais do povo egípcio pelo grande rei Osíris, onze mil anos antes da unificação política do Egito.[6]
15. A qual se deu três mil antes do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo o calendário dos cristãos. [7]
 
As raízes da maçonaria egípcia
 
16 Entre esses iniciados nas ciências e nos mistérios mais profundos da religião egípcia é que se saiam as pessoas mais importantes daquela sociedade; 1 Dali saiam os médicos, os engenheiros, os intérpretes da lei e todos que praticavam as nobres profissões liberais, 2 e também os que fundiam os metais e fabricavam as tintas com que se tingiam os panos e se pintavam os templos e as casas das pessoas ricas.
17.  E aqueles que se notabilizavam nas artes da construção, que se faziam principalmente com pedras, ficaram conhecidos como Pedreiros.
18. Estes, por serem detentores de conhecimentos que interessavam ao próprio estado egípcio, foram organizados em uma sólida Irmandade que preservava os segredos da profissão,1 Razão pela  qual ficou comum falar-se em uma Confraria dos Irmãos Pedreiros (porque ainda não usava a palavra maçon).[8]
19.  Mas a Irmandade dos Filhos de Aton, da qual o próprio faraó era o Grão Mestre e Moisés o seu Sumo Sacerdote, tornou-se a mais importante instituição do país.
20. Nela era formada a elite intelectual, social e política do país, através de um sistema de aprendizado que compreendiam diversos graus de sabedoria profana e sagrada, ministrados conforme a necessidade do estado. 1 Artes profanas em um primeiro estágio, artes sagradas em um segundo estágio,2 artes sagradas e os segredos mais profundos da natureza e da religião em um terceiro estágio, superior, o qual era também divididos em diversos graus, que comunicavam diferentes estágios de sabedoria.[9]
21 Dessa forma, os aprendizes que passavam para os graus superiores aprendiam também a arte de fabricar ouro, que os seguidores de Maomé, mais tarde, chamaram de Alquimia;  e estudavam também a sabedoria que os capacitava  interpretar a Vontade do Grande Arquiteto do Universo através do movimento das estrelas e das estações do ano,1 E depois, em graus mais avançados aprendiam também a arte de guiar os homens em seus pensamentos e ações e a governá-los com retidão e justiça. Essa sabedoria era a aplicação do conceito da Maat.
22. A estes que atingiam os graus altos na sabedoria ali ensinada se chamavam Mestres e eram eles que ocupavam os cargos mais altos no governo da nação, dirigindo a Política e a Religião, que na prática eram uma coisa só.
23 Assim, o faraó colocou Moisés á frente dos negócios do Egito; 1 O que era normal, pois o Sacerdote Supremo era também aquele que tudo ordenava no país, pois a Política era a arte de organizar um governo com Justiça e Sabedoria e só quem conhecesse realmente a vontade do Grande Arquiteto do Universo, expressa na sabedoria da Maat,  poderia exercê-la em toda sua plenitude.
24  E o faraó mudou o  nome  de Moisés para Thuauton, pois que ele era o Primeiro Intérprete de Aton. [10]
25. E por esse nome ficou ele conhecido no Egito. 1 É com esse nome que ele aparece nos documentos, estelas e inscrições que os egípcios gravavam para registrar os acontecimentos importantes da história da sua nação.2 Isso explica porque nunca foi encontrado nenhuma referência ao nome Moisés nos registros da história egípcia.
26. No grande Templo de Aton em Khut-Aton, o Sumo sacerdote Moisés oficiava os ritos que iniciavam os neófitos na prática da Arte Real.
27. Esses ritos foram sendo modificados ao longo dos séculos, mas ainda hoje, na Ordem dos Maçons, se conservam muitos atos litúrgicos que foram inspirados  naqueles ri-tuais;1 Especialmente no que diz respeito à iniciação e aos ensinamentos que são guardados nos símbolos adotados pe-la Maçonaria. 2 Por isso é que os Irmãos encontram, nos diversos atos litúrgicos pratica-dos nas suas Augustas Oficinasmuitas referências à simbologia egípcia,3 E na própria iniciação do aprendizes existe sempre uma alusão à passagem da vida para a morte e da morte para a vida novamente, porque essa é a finalidade de toda iniciação.
28.  Pois era com a finalidade de imitar o processo pelo qual a Natureza, através dos raios do Sol e da Lua, dava vida às coisas na Terra, que os Mistérios de Ísis e Osíris eram representados nos Templos egípcios.
 
Os Mistérios Egípcios
 
29. Nesses Mistérios, se representava a ação da natureza, simbolizada pela morte diária do sol á tarde e sua ressurreição pela manhã. 1 Assim,  toda manhã a sua luz trazia vida renovada ao mundo. 2 Por isso todas as iniciações no Templo de Aton, presididas pelo Sumo Sacerdote Thuauton (Moisés) sempre terminavam com uma oração que dizia:3Tu, ó grande Aton, que brilhas no horizonte dos céus, nós vos despedimos como Amon(o que morre)quando te ocultas atrás das montanhas e vos saudamos como Aton( o que renasce) quando te levantas pela manhã para dar vida às duas terras do Egito. Tú, ó deus da luz, és o Senhor das colheitas, que iluminas todas as faces da terra. Tu que és a mais bela de todas as coisas existentes no universo e renovas a ti mesmo e te fazes novamente jovem todos os dias sob a forma de Aton,  Dai-nos a tua graça e força para que possamos também vencer a morte.[11]
30. E depois dessa prece, os iniciados, que haviam passado uma semana em uma caverna escura, e submetidos a duras provas de coragem e conhecimento das realidades divinas, onde eram dados como mortos para a sociedade e para suas famílias, eram levados para o interior do Templo de Aton; 1 Esse templo não tinha teto, pois ali se representava o cosmo inteiro, 2 E ali eles recebiam a Luz de Aton, sendo considerados iniciados nos Sublimes Mistérios daquele deus,3 O que significava que estavam ressurrectos para uma nova vida, que dali em diante seria dedicada ao serviço do estado  egípcio.
31 Nesse momento, o Faráo, que era considerado Filho do Divino Sol, e seu representante na terra, tocava com seu báculo sagrado na cabeça raspada do agora Irmão e lhe conferia o grau de iniciado.1  E depois de três anos como aprendizes, estudando os segredos básicos da religião, da filosofia e das ciências que estão na base de todas as artes, tais como a matemática, a geometria, o cálculo, as propriedades curativas das plantas, as propriedades dos metais e outros saberes necessários ao exercício de uma carreira de Estado, eles eram encaminhados para a aquisição de uma carreira profissional.1 Tornavam-se  praticantes de atividades necessárias à manutenção de um corpo executivo e administrativo.3 Os que mais se destacavam passavam para um grau superior no qual os segredos de cada profissão lhes eram ensinados conforme escolha de cada um e avaliação dos seus mestres.
32 E depois disso, a alguns deles, que mostravam dotes especiais, lhes eram ensinados os segredos ocultos da sabedoria egípcia, que somente aqueles que eram destinados a assumirem cargos de sacerdotes ou ministros de Estado era lícito saber.1 E estes eram os Mestres, que aprendiam a arte da fabricação do ouro artificial e   as palavras sagradas que os habilitavam a oficiar cerimônias fúnebres e os ofícios religiosos,2 E também as preces necessárias para obter o beneplácito dos deuses e a vitória sobre os demônios, 3 E que os possibilitava invocar as forças da natureza para que as safras agrícolas fossem boas, os elementos naturais fossem aplacados, as pragas afastadas e fazer os famosos prodígios que os antigos diziam ser os hierofantes egípcios capazes de realizar.
33. Tudo isso está escrito nos livros de sabedoria daquele povo e pode ser consultado por quem dela quiser tomar conhecimento[12]
 
 
[1] Essa referência pode ser encontrada em Êxodo, 2,1 a 10 que informam ter sido Moisés adotado e criado pela filha do faraó e educado como príncipe do Egito. A Bíblia não registrao nome desse faraó, mas é possível que esse faraó tenha sido Amenófis III, pai do faraó Akhenaton. As informações sobre a vida pessoal de Moisés constam de livros antigos, escritos pelos historiadores Eusébio, Apion e Maneton, e por Flávio Josefo. Antigas tradições muçulmanas também se referem á atividade política de Moisés como príncipe do Egito, informando inclusive que ele teria sido governante da Etiópia, país que ele teria conquistado para a coroa egípcia.
[2] Veja-se E.Wallis Budge- Os Deuses Egípcios, vol II- Ver também Jacobus van Dijk, The Oxford history of Ancient Egypt, Oxford University, editada por Ian Shaw, cap. 10. Apud. Akhenaton - a revolução espiritual do Antigo Egito. Romance histórico de Roger B. Paranhos, publicado em 2002 pela Editora  Conhecimento; Mika Waltari- romance histórico Sinouê, o Egípcio.”
[3] Aton não era nome de um deus, mas simbolizava a luz do sol. Era um termo que designava a manifestação visível do deus Amon-Rá, como mencionado nos Textos das Pirâmides, os textos religiosos mais antigos que foram encontrados até agora. Na verdade, Akhenaton não impôs um novo deus aos egípcios, mas sim apenas alterou a forma de culto do deus Rá, privillegiando uma de suas característica s- a luz- em detrimento de todas as demais formas de manifestação que os egipcios cultuavam. Ele reuniu em um de seus atributos todos os demais atributos de Amon-Rá, simbolizando nessa união a própria política que ele queria implantar no país: a soberania total centrada na pessoa do faraó. Um único deus no céu, um único soberano na terra. Assim o monoteísmo de Akhenaton, a par da sua importância religiosa – a primeira experiencia registrada de uma religião monoteísta─ tinha, na verdade, um verdadeiro sentido político.
[4] Os historiadores Maneton e Apion, que viveram no terceiro século a C e primeiro século depois de Cristo, respectivamente, foram os primeiros autores a publicar tais informações a respeito dessa vida desconhecida de Moisés. A esse respeito, ver Ahmed Osman, Moisés e Akhenaton, Madras, 2007.
[5] Vem do antigo Egito, anterior aos faraós, a noção de que o equilíbrio universal era realizado pela deusa Maat, a qual agia como uma intermediária entre os homens e os deuses, recolhendo na terra os influxos das boas ações praticadas pela humanidade e levando-as para o céu, como alimento para as divindades; e deles ela trazia para a terra as benesses concedidas, como contra prestação das ações humanas realizadas em sua homenagem. Assim, o equilíbrio universal era mantido pela prática da maaty, ou seja, o viver de forma virtuosa, praticando a verdadeira justiça. Dessa forma, a ética, a ecologia e a responsabilidade social estavam solidamente vinculadas ao espírito religioso e este, por sua vez, refletia no sistema jurídico, formando um todo harmonioso que dava vida à sociedade, regulando as relações do homem para com a divindade e entre eles próprios. Ver a esse respeito, a nossa obra “Tesouro Arcano”, Madras, 2013.
[6] Cf. Corpus Herméticus, conjunto de livros escritos por filósofos gregos nos primeiros séculos da era cristã, dando origem á chamada doutrina hermética.
[7] BONNECHI, Ed. – Art. and History of Egipt. Edição inglesa. Florença, 1994.
[8] Essa organização é referida por Apion, porém não nessa ordem e estrutura. Ele fala apenas em trabalhadores qualificados e sem qualificação, sendo os primeiros muito requeridos no mercado da construção civil no Egito.
[9] Essas informações constam de diversos textos antigos, especial-mente The Pyramid Texts, e os trabalhos de Plutarco, De Isis et Osiride, e Os Deuses Egípcios”, de Walliz Budge. 
[10] Ver Ahmed Osman, Moisés e Akhenaton, Madras, 2007.
[11] Constante de documentos recuperados nas escavações feitas em El Amarna. DODSON, Aidan, The Hieroglyphs of Ancient Egypt. Barnes & Noble, New York, 2001
[12] Especialmente a Tábua das Esme-raldas de Hermes Trismegistus.

do livro- O TESTAMENTO DO MAÇON- NO PRELO

 
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 18/07/2014
Alterado em 18/07/2014
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras