João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


( Resposta aos leitores que me consultaram sobre esse assunto)

Caro leitores 
 
A Cabalá, como todas as doutrinas, especialmente as que envolvem crenças e tradições religiosas, é uma uma forma de ver o mundo e interpretar os acontecimentos e a História, como um todo. Cada povo tem a sua e os rabinos judeus, que criaram esse método, aproveitaram as características do seu alfabeto (o alfabeto hebreu) para desenvolver uma explicação mística do universo e do processo que, segundo eles, Deus usa para construí-lo. Como nenhum alfabeto, até agora, conseguiu desenvolver uma linguagem capaz de explicar certos fenômenos que ocorrem no universo, a Cabalá usa uma linguagem simbólica, cheia de metáforas e alegorias, para explicá-los. Essa fórmula, aliás , é muito própria das línguas orientais, como podemos comprovar lendo o Alcorão, as estórias das Mil e Uma Noites, a poesia árabe, os livros sagrados do hinduísmo e da antiga filosofia chinesa (o taoísmo) e a própria Bíblia (Velho e Novo Testamento) que usam uma linguagem carregada de simbolismo. O que algumas pessoas chamam de contradições, exxistentes na Bíblia ( e em todos os demais livros sagrados), na verdade, são escolhas feitas por indivíduos e sociedades em determinado momento histórico e que a eles parecia ser a melhor. É preciso lembrar que não existe um conceito de justiça, bondade, verdade, ética, honestidade, etc. que possa ser aplicado como medida padrão em todos os tempos e lugares e para todos os povos e indivíduos. A nossa mente vê o mundo pelos óculos da relatividade. Em cada ângulo que o observamos ele pode apresentar visões diferentes. A verdade é aquilo que dá resultado e satisfaz todas as partes envolvidas em um processo, E esse pressuposto, como todos os demais, também é relativo. Como nossas necessidades e vontades são variáveis no tempo e no espaço, aquilo que parece hoje ser contradição, em outros tempos e lugares pode ter sido considerado como bom e justo. Nesse sentido, a Cabala não é menos contraditória do que todas as outras formas de ver o mundo. Ao contrário, por ter um caráter tão simbólico e ser dirigida mais ao inconsciente do que á nossa própria razão, acaba sendo mais flexível e adaptável ao pensamento moderno, pois ela não tem dogmas nem se aferra a interpretações fechadas dos fenômenos. A Cabala é uma forma de Gestalt, ou seja, cada um pode ver nas suas explicações, teoremas, pressupostos e axiomas, o que quiser e precisar para embalar sua vida diária numa psicologia de otimismo e confiança no futuro, que outras doutrinas não conseguem fazer. 
Espero ter respondido as indagações feitas. Permanecemos á disposição para comentar quaisquer outras dúvidas levantadas em relação aos nossos textos e especialmente em relação ao nosso livro " A Árvore e a Loja". Um abraço fraterno.
Carpe Diem.
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 15/03/2017
Alterado em 15/03/2017
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