João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


O pensamento iluminista

      Duas correntes de pensamnto surgiram da Reforma religiosa promovida por Martinho Lutero. Uma corrente mística, que encontraria o seu canal de escoamente através da tradição Rosacruz e desembocaria na Maçonaria, e uma corrente religiosa ortodoxa, que escoaria pelas diversas seitas protestantes que se formaram a partir de então e encontrariam o seu desenlace nas sangrentas guerras religiosas que deram origem aos estados modernos. Em ambas as correntes, o que ressalta, porém, é o pensamento que, a partir desses acontecimentos, se desenvolveu e se espalhou pelo mundo, formatando povos e nações a partir de um novo conceito de sociedade e estrutura política. Esse pensamento é o que nos convencionamos chamar de Iluminismo.
   Enquanto a corrente mística dessas ideías se encaminharia para os canais de uma espiritualidade que buscaria integrar a pureza do cristianismo primitivo com a sensibilidade natural das antigas religiões solares, ressuscitando, de uma forma mais racional, ainda que bastante idealista, o gnosticismo, a corrente religiosa ortodoxa procuraria conduzir o pensamento popular para uma depuração pura e simples do cristianismo, descontaminando-o da formalidade vazia dos católicos. Nesse sentido, a ideia dos protestantes era a volta à antiga tradição, inaugurada pelos apóstolos, de uma pregação ética e moral, despida dos luxos e da pompa litúrgica exibicionista com que a Igreja de Roma havia vestido a Igreja dos apóstolos de Jesus. 
Entre o movimento evangélico protestante e a Companhia de Jesus, as duas mais expressivas instituições que resultaram desse embate de ideias, nasceu a Maçonaria, como terceira via desse pensamento que se desenvolveu a partir das novas concepções que então se desenvolveram. Formada a partir do pensamento rosacruz, ela se tornaria uma sociedade ativista que hospedaria um forte conotação político-social, emoldurada por uma aura de religiosidade gnóstica, muito própria das sociedades teosófcas que se multiplicaram pelo mundo cristão após a queda do monopólio que o catolicismo exercia sobre o pensamento ocidental. 
 
A questão do racionalismo
   
     A partir do século XVII o racionalismo cartesiano invadiu as consciências de tal modo, que nada mais podia ser sustentado no terreno do pensamento e da experiência cientifica e social, se não fosse passível de ser reproduzida empiricamente, ou explicado com estrita clareza, ordem, concisão e exatidão. Toda e qualquer proposição formulada tinha que ser aceitável pelos parâmetros da lógica. O culto pela exatidão, pelo matematicamente provável, pelo passível de repetição nos laboratórios, expulsou dos meios intelectuais a antiga tradição esotérica dos filhos de Hermes, que escondiam nos símbolos os tesouros da sua ciência. Numa sociedade fundada sob a certeza de suas fórmulas, na organização de suas estruturas, na demonstração inequívoca de resultados, no amor pela evidência racional, não havia lugar para uma metafísica apoiada em símbolos que somente iniciados podiam desvendar, e mesmo assim, sem nenhuma prova incontestável que demonstrasse a verdade de seus postulados ou a certeza da obtenção de qualquer resultado concreto.
     A “alta ciência” que se hospedava na pratica da alquimia e da Maçonaria operativa teve que se adaptar as exigências do racionalismo. Daí o nascimento da moderna Arte Real, com a introdução daqueles elementos que Ambelain chamou de caminho político da Maçonaria, onde se aliavam, segundo suas próprias palavras, “as melhores noções de progresso e evolução, e também, infelizmente, ideias novas, desconhecidas dos antigos franco-maçons, e que tenderiam, pouco a pouco, a minar certos valores que fazem a dignidade do homem, pelo ateísmo, pelo materialismo, o laxismo, que conduzem ao amoralismo desagregador.” [1]
     Nesse sentido, pode-se dizer que a Maçonaria moderna foi uma concessão do espírito místico ao apelo da razão.
     Talvez Ambelain tenha razão, porquanto uma disciplina que fala mais ao espírito do que á razão tem muito mais atração que as áridas “logias” ensinadas nas universidades oficiais. Afinal, para se adquirir uma sabedoria que se conforme aos limites de uma fórmula ou um silogismo, é suficiente freqüentar os bancos escolares, ou ser capaz de ler, com proveito, um bom livro. E não é isso que um espírito ávido por uma filosofia de vida, capaz de fornecer-lhe aprimoramento espiritual e, ao mesmo tempo, uma ética para a vida social, buscaria em uma sociedade iniciática. É nesse sentido que a chamada “profanização” da Maçonaria, como René Guénon entendia ter acontecido após a edição das Constituições de Anderson, talvez tenha prejudicado a influência psíquica dos ritos maçônicos e desmistificada a sua prática, pois a partir de então ela se tornou mais um clube político, com fumos de sociedade teosófica, do que propriamente uma Ordem iniciática. Mas isso foi uma exigência do momento histórico, como veremos no decorrer deste trabalho. A Maçonaria secularizada, como todas as instituições, precisava se adaptar ás exigências da cultura da época, que elegera o racionalismo como nova religião oficial.
   Da interação entre as tradições acima estudadas e a moral do iluminismo nasceu uma nova ordem de idéias e práticas que podemos chamar de Iluminismo Maçônico.
 
O Iluminismo filosófico
 
     Vejamos primeiro o que foi o Iluminismo filosófico, propriamente dito. Esse movimento, que teve profundas repercussões sociais e intelectuais, embora seja sempre creditado aos franceses, na verdade tem origem inglesa. Isso talvez ocorra pelo fato dos franceses, reco-nhecidamente melhores filósofos que os ingleses, terem entendido com mais propriedade as idéias iluministas. Por isso a primazia que se lhes concede sobre esse movimento intelectual que forneceu as bases para o pensamento moderno.
     O Iluminismo foi o produto filosófico do racionalismo cientifico inaugurado por Francis Bacon e desenvolvido cientificamente por espíritos do porte de René Descartes e Isaac Newton. Eles, como os iluministas Voltaire, Montesquieu, Locke, Adam Smith, Kant e outros pensadores que lançaram luz sobre o pensamento ocidental, foram maçons, ou de alguma forma estavam ligados aos círculos maçônicos. Descartes, que nasceu em 1596, em pleno apogeu da Renascença e morreu em 1650, fase mais aguda das guerras religiosas, foi o verdadeiro pai do racionalismo. Acreditava na razão como única forma de conhecimento da verdade e tinha a matemática como a fórmula mais perfeita de demonstração. Seu método induzia a mente a estudar um objeto, partindo do particular para o geral. Através de cortes epistemológicos no objeto estudado, do isolamento e do estudo de uma parte do conjunto, ele acreditava que era possível obter conclusões sobre a totalidade dos seres pertencentes aquele conjunto.
     Partindo do estudo das realidades individuais, como o homem, ou do estudo da totalidade das realidades materiais, como o universo, a mente humana poderia organizar um conjunto geral de conhecimentos que abarcasse todo o saber universal, pois o mundo era uma grande máquina, organizado e controlado por leis exclusivamente naturais, que podiam ser deduzidas e conhecidas pelos instrumentos da razão. [2]
 O universo cartesiano era um plano que podia ser definido em termos de extensão e movimento. Todos os conjuntos, grandes ou pequenos, obedeciam a uma lei geral de movimento, neles imprimida por Deus. No homem, Descartes distinguia a dualidade espírito-matéria, sendo esta última construída a partir do movimento do primeiro.
     O cartesianismo abalou profundamente as convicções teológicas da época, baseadas fundamentalmente na fé e na revelação divina como fontes únicas da verdade religiosa. Se a razão era a única forma de conhecimento, e só através dela se podia conhecer as realidades do universo, inclusive as divinas, porque então se lutava tanto pela fé? Não seriam as questões éticas e morais mais importantes que a religião?
     Muitos pensadores importantes passaram a se ocupar da questão. Barush Espinosa (1622-1677), pensador judeu-alemão, pôs em dúvida os dogmas do judaísmo, valorizando as concepções panteístas do universo que Pitágoras, Parmênides, Plotino e os hindus já haviam defendido. Nesse sentido, ele deu ênfase á ética e a moral como fórmulas mais eficazes que a religião, para a construção de um mundo mais justo e humano.
   Thomas Hobbes (1588 — 1679), mais materialista que Espinosa, sustentou que o desenvolvimento da civilização se baseava na busca constante do prazer e na repressão á dor, dando origem á corrente filosófica que ficou conhecida como hedonismo. As idéias de Hobbes refletiram imediatamente no pensamento econômico da época, influenciando pensadores como Adam Smith (1723-1790), por exemplo, o mais importante dos economistas clássicos.
     Como já foi dito, o Iluminismo propriamente dito, teve inicio na Inglaterra em 1680, tendo como seus precursores o cientista Isaac Newton (1643 — 1727), pai da teoria da gravitação universal, e o filósofo John Locke (1632-1704). Partindo das concepções cartesianas, que adotava a razão como único guia para o descobrimento da verdade, Newton, mais do que qualquer outro cientista do seu tempo, revolucionou o conhecimento que se tinha do mundo físico. Suas teorias a respeito do universo e suas leis de desenvolvimento permaneceram incontestáveis até o surgimento de Einsten.
     Visceralmente inimigo do dogmatismo religioso, Newton introduziu na ciência o conceito mecanicista do universo, banindo a noção do milagre, da explicação dos fenômenos pela fé, do conhecimento da verdade pela revelação divina, afirmando que tudo no cosmo se explicava pela atuação de leis exclusivamente naturais. Como apóstolo convicto da liberdade natural, forneceu aos espíritos ansiosos pelo livre pensamento em todos os campos, o fermento necessário para o desenvolvimento das idéias iluministas que revolucionaram a filosofia nos séculos XVII, XVIII e XIX.
     Jonh Locke, refutando qualquer influência divina na formação do espírito humano, pregou que o homem nascia “tabula rasa”, isto é, ele era, ao nascer, uma folha em branco na qual tudo ainda estava por escrever. Com essa concepção, Locke afastava qualquer idéia de predeterminação, qualquer explicação metafísica para o surgimento da consciência humana, qualquer forma de intervenção divina na estrutura psíquica do homem, que não fosse aquela que ele mesmo adquiria no decorrer da vida. Com isso o homem ficava livre para assumir o leme do seu destino, sendo ele mesmo o único responsável por tudo que lhe acontecia.
    Dessa forma, os iluministas rejeitavam tanto o tradicionalismo cego da teologia calvinista com suas idéias de predestinação, pecado original e origem corrupta da humanidade, quanto o conteúdo dogmático da doutrina católica, que tinha no Papa e nos seus representantes o monopólio da intermediação entre Deus e os homens. O Iluminismo aparecia como uma religião liberal e otimista, onde todos poderiam se salvar através da sua própria atitude, da sua crença no progresso, sua fé em si mesmo.
   Cada individuo tinha em si o caminho da salvação e não precisava de “intermediários’ entre ele e Deus. O que se precisava era de mais ética, mais moral, mais autonomia e mais liberdade de atitude e de pensamento, pois todos tinham direito a uma auto-realização. Assim sendo, que importância tinha os dogmas, as verdades religiosas, os paradigmas da religião? A luta pela fé perdia todo o sentido, pois somente a razão podia conduzir ao conhecimento da verdade. Destarte, a construção de um sistema moral e ético que conduzisse á felicidade geral era muito mais importante do que a luta para defender a crença numa “orientação divina”, que não existia nem nunca existiu.
    Na França, o Iluminismo alcançou o apogeu com os trabalhos do grande Voltaire (François-Marie Arouet,1694-1778). Em razão das suas idéias libertárias, Voltaire enfrentou a prisão na Bastilha e o exílio na Inglaterra, onde se filiou ao grupo de pensadores e cientistas do Clube Real onde pontificavam Newton, Locke, Robert Fludd e outros. Recuperou, com base na nova ética e moral do Iluminismo, as idéias utópicas do estado ideal de ordem, harmonia e felicidade, situando-o em algum lugar na América do Sul.  Nesse país imaginário, dizia ele, não há monges, nem padres, nem processos, nem governos autoritários e burocratas para infernizar a vida dos homens. Esse país seria governado exclusivamente pelas grandes leis da natureza. Era a aplicação do princípio da Maat egípcia, mas sem um faraó ou um estado organizado para encarná-la.
    Voltaire foi o campeão da liberdade individual. Popularizou seu amor pela liberdade na famosa expressão “não concordo com o que  dizes, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo”.
    Outros grandes nomes do Iluminismo foram Denis Diderot (1713-1784), Jean d!Alembert (1717-1783), o maçom Claude Adrian Helvetius (1715-1771) e o Barão Holbach (Paul-Henri Thiry, 1723-1789). Os dois primeiros formaram um grupo conhecido como “Os Enciclopedistas”, pelo fato de terem colaborado na organização da Grande Enciclopédia Filosófica Universal, trabalho que pretendeu reunir todo o conhecimento filosófico e cientifico existente na época. Todos eles eram inimigos irreconciliáveis do obscurantismo e defendiam a educação como forma de eliminar as diferenças entre os homens, a pobreza, a ignorância e as guerras. Outros nomes importantes do pensamento iluminista foram Jean Jacques Rousseau (1712-1778) o poeta Leasing (Gotthold Ephraim 1729 – 1781), Mendelssohn, o compositor (1809 — 1847) e Emmanuel Kant (1724 — 1804), um dos maiores filósofos da época moderna. Todos eles viveram a maior parte de suas vidas e produziram suas obras na primeira metade do século XVIII. [3]
   O Iluminismo influenciou os principais movimentos revolucionários dos séculos XVIII e XIX que culminaram na organização política do mundo moderno. Na França as idéias iluministas estão no cerne da Revolução Francesa. Na América inspiraram Thomas Payne, Benjamim Franklin, Thomas Jefferson, George Washington e outros, todos maçons, líderes da revolução que libertou a América do domínio inglês e estabeleceu as bases dos estados democráticos modernos. No Brasil, o Iluminismo se fez sentir principalmente entre os revolucionários da Inconfidência Mineira e os líderes da nossa independência, entre eles os irmãos Andrada e o imperador Pedro I. [4]
O Iluminismo maçônico
 
     O resumo histórico que fizemos acima teve por objetivo trazer para este trabalho a moldura na qual a Maçonaria moderna se inscreveu. O racionalismo e o iluminismo forneceram o fundo filosófico e cultural a partir do qual ela se definiu, e as lutas políticas e religiosas moldaram o desenho e a conformação que ela assumiu. Desse ponto de partida podemos começar um exercício de imaginação. Podemos visualizar grupos de nobres, intelectuais, cientistas, militares e outras pessoas de alta sensibilidade, descontentes com a ortodoxia das religiões oficiais, descrentes da filosofia que as orientava, cujo resultado só conduzira á desarmonia, á desordem, á guerra, á carnificina e á perpetuação das tiranias políticas; podemos ver como esses homens apaixonados pela liberdade, pelo livre pensamento, pelo exercício racional de uma prática religiosa, orientada mais pela razão do que pela fé, decidem procurar uma fórmula que agasalhasse, ao mesmo tempo, a sensibilidade de uma alma que acreditava na origem mágica do universo (presentes principalmente na alquimia, na cabala e na gnose) e a necessidade de uma nova religião, fundamentada na razão pura e na ação social.
     Nasce, dessa forma, uma nova filosofia dentro das sociedades de pensamento, que então começavam a se propagar pela Europa a partir da interação entre os “fellow-crafts” das Lojas de companheiros e os “novos maçons aceitos”, cultores da filosofia hermética. Essa nova filosofia era uma espécie de Iluminismo Esotérico que apelava, ao mesmo tempo, para as inclinações profanas do homem desejoso de ser feliz no único mundo que conhecia, mas que também respeitava o sentimento religioso daqueles que acreditavam num universo governado por forças maiores que a razão humana e leis simplesmente naturais. Esses espíritos não queriam o materialismo ateu dos racionalistas ortodoxos nem a fé dogmática dos católicos escolásticos, como também repudiavam o visionarismo intolerante dos calvinistas e luteranos. Como desconfiavam também do catolicismo alternativo dos anglicanos, cujo fundamento era mais político que religioso.   
     Eram pensadores formados na onda do racionalismo que varria a Europa, mas recusavam-se a crer que a aventura humana sobre a terra lhes reservasse mais que uma mera lembrança na memória das pessoas. Eles queriam acreditar que alguma coisa mais regia o universo e o processo de evolução da humanidade como um todo, e que essa evolução era sustentada na atuação dos indivíduos. Essa “alguma coisa” mais que regia o universo era o seu Grande Arquiteto. Por isso era preciso ajudá-lo nessa missão, educando um Homem Universal, que fosse capaz de realizar, na sociedade, o mesmo trabalho que o Grande Arquiteto realizava em relação ao universo.
    A Maçonaria moderna nasceu, portanto, da fusão entre o pensamento mágico dos hermetistas, sensíveis ás tradições herdadas das sociedades iniciáticas, com o racionalismo iluminista. Buscava, em ultima análise, uma nova forma de gnose, ou seja, uma sabedoria que se fundamentasse, não mais na procura de um caminho para o divino através de construções materiais, como propunham a alquimia e a própria atividade maçônica operativa, mas sim através de uma prática ativa de virtudes éticas e morais, adquiridas através de uma adequada iniciação.  Entre esses homens estavam Robert Fludd, Voltaire,  o próprio  James Anderson,  André  Michel  de  Ransay,    Jean
Teóphile Deságuliers e outros, malgrado suas inclinações religiosas e políticas.
      E com eles muitos padres e pastores, descontentes com os rumos que a Reforma e a Contra Reforma religiosa estavam tomando. Havia também muitos judeus cristianizados, dissidentes do judaísmo ortodoxo, mas não totalmente convencidos para assumir, de todo o coração, as doutrinas do cristianismo. Esses, como vimos, eram os mestres praticantes da grande tradição da Cabala. Eis, na nossa visão, as tintas, a moldura, a tela e o fundo nos quais se pintaria a figura dos novos Obreiros da Arte Real em suas roupagens modernas. É essa interação entre racionalistas e hermetistas que podemos chamar de Iluminismo Maçônico, eufemismo que doravante utilizaremos para designar a filosofia que orienta a prática maçônica,
     Logo se perceberá, pelo desenvolver do ensinamento maçônico, que este nada mais é que a moral iluminista temperada por um forte apelo ao pensamento mágico, próprio dos hermetistas e dos filósofos gnósticos. Se de um lado ele propaga uma idéia moralista, que poderia ser encampada por qualquer escola filosófica do século XVIII ou XIX, o seu método é francamente iniciático, semelhante ao utilizado pelas seitas esotéricas da antiguidade ou os próprios discípulos de Hermes.
    Nesse sentido, podemos dizer que a Maçonaria, na sua face especulativa, nada mais é que uma alquimia do espírito, e uma filosofia que se transmite não somente á razão, mas principalmente aos sentidos. O maçom que realmente entendeu o que é a Arte Real precisa incorporar o espírito do adepto e a mentalidade do filósofo. A Arte Real tornar-se-á então, uma nova Art d!amour, porque se dirige ao espírito do praticante; é também um novo Iluminismo, praticado socialmente com a esperança de se construir uma humanidade melhor. Em nenhuma outra atividade humana, seja ela política, social ou intelectual, se casou tão bem o ideal hermético com a esperança iluminista, como aconteceu na Maçonaria.
    A partir daí, tudo foi costurado num catecismo que utiliza o simbolismo da arquitetura como estrutura de sustentação e as diversas manifestações espirituais da humanidade, em todos os tempos, como processo de construção de um sistema de ensino.

     
 
 
 
[1] Robert Ambelain- A Franco Maçonaria , citado, pg. 86
[2] Na imagem, o filósofo Renê Descartes. Enciclopédia Barsa.
[3] Na imagem, Emmanuel Kant, um dos maiores filósofos da época moderna.
[4] No Brasil destacam-se os nomes de José Bonifácio de Andrada e Silva e Gonçalves Ledo, maçons cujo pensamento iluminista influenciou sobre maneira os acontecimentos que culminaram com a independência brasileira.  Vide a esse respeito a obra essencial de José Castelanni e William Almeida de Carvalho, História do Grande Oriente do Brasil- Madras, São Paulo, 2009.

(DO LIVRO CONHECENDO A ARTE REAL- 2º EDIÇÃO- 2017)
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 07/06/2018
Alterado em 12/06/2018
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