João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


                                   O QUE É A VERDADE?

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, disse Jesus. Mas nem ele conseguiu dar uma definição incontestável do que seria a verdade, pois quando inquirido por Pilatos sobre o assunto, ele simplesmente nada disse. Ou se disse, nenhum dos seus supostos biógrafos registrou a resposta.
A verdade é uma questão de difícil equacionamento. Não dá para colocá-la numa fórmula matemática e nem sequer num silogismo de boa construção. Podemos dizer que a verdade é aquilo em que a gente crê. Mas nenhuma crença é verdadeira em si mesma, já que sempre depende de elementos de convicção, que a uns convencem, a outros não.
Há verdades que libertam e verdades que perdem. O candidato Bolsonaro teve um claro exemplo dessa última com a divulgação de um vídeo onde seu filho diz que bastaria um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal.
Para muitas pessoas no Brasil essa é uma grande verdade. Não que seja fácil assim fechar o STF, mas que muita gente neste país não iria dar a mínima se isso acontecesse, isso é verdade. E provavelmente haveria até quem aplaudisse essa medida.
 Isso trás uma reflexão, que já deveria ter sido feita há muito tempo, sobre a forma como a Corte Suprema é composta. Talvez fosse a hora de aproveitar o foco que a “verdade” que o boquiroto filho do Bolsonaro colocou sobre o STF para mudar a forma de indicar os juízes que compôem esse Poder da República. É preciso que, pelo menos, as exigências curriculares que, por lei, devem ser exigidas dos candidatos sejam cumpridas. Pois deles se exige que sejam profissionais de direito com reputação ilibada e notório saber jurídico. No entanto, alguns dos magistrados que hoje vestem a toga do STF só têm, como única qualificação, o poder do padrinho que o indica. E o único critério de escolha para sua aprovação é o político.
Na verdade, a credibilidade e a seriedade dos componentes do Supremo Tribunal Federal sempre foi um bastião de segurança para as instituições do país. Nem os generais da ditadura militar ousaram suprimir a Corte Suprema, embora tenham cassado alguns magistrados que se recusaram a rezar pela sua cartilha. Então, falar em fechar o Supremo, além de ser uma bravata de moleque irresponsável, é uma loucura que o seu pai, eleito democraticamente, jamais iria ousar. Agora, mudar a forma de indicação e eleição dos magistrados sim, pois os critérios utilizados para a escolha deles fez com que a atual composição do Supremo seja, talvez, a pior em todos os tempos da República.
Destarte, o Bolsonaro filho pode até ter dito uma verdade, mas essa não é uma verdade que liberta, mas sim que perde quem a diz. A prova é que, em menos de três dias, o seu pai perdeu três pontos na pesquisa de intenção de votos. Se essa “verdade” fosse dita antes, quem sabe agora o Bolsonaro pai não estaria amargando as penas do inferno.
 
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 23/10/2018
Alterado em 23/10/2018
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