João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


Ferramentas de poder do Visionário

As ferramentas de poder do Visionário são estímulos que ele pode adotar para dar vazão aos conteúdos do inconsciente. São âncoras muito eficientes para a produção de visões. Esses estímu-los estão relacionados com:

1.Canções de poder 

Quem canta seus males espanta, diz o velho ditado. Fazer o indivíduo “cantar” é sinônimo de extrair a verdade, na gíria policial. Essa é metáfora que expressa uma verdade neurológica. O in-consciente, onde está armazenada a totalidade da informação, sem as deformações que os filtros da linguagem lhe fazem, reage muito espontaneamente a determinados tipos de som.
O som é uma forma de linguagem muito importante para a nossa programação neurolinguística. Sua entonação, sua extensão, sua modulação, suas características de duração e freqüência, são elementos neurolingüìsticos com os quais nossa mente codifica as informações sonoras.
Assim, o primeiro passo para acessarmos o nosso arquétipo Visionário é aprender a cantar. Nossas canções favoritas são nos-sas melodias de poder. Elas estão ligadas aos momentos mais mar-cantes da nossa vida, quando vivemos experiências realmente sig-nificativas, que a nossa mente registra com extrema emoção.
A música e a dança são manifestações arquetípicas por excelência. Não existe povo na terra que não tenha desenvolvido uma forma típica de canto ou de dança para dar vazão aos seus desejos, temores, esperanças e crenças. Essas manifestações estão, de al-guma forma, ligadas às raízes mais profundas da nossa personalidade.
Os compositores de música sacra dizem que existe uma relação entre os sons das letras I, O, A com as três forças fundamen-tais da vida: o dinamismo, o magnetismo e a integração. Por isso esses três sons são sagrados.
O dinamismo é a força que impulsiona a representação das nossas experiências internas, facilitando a expansão e a criação. O magnetismo é a força que proporciona a abertura e a recepção de novas experiências. A integração é a força que sintetiza, organiza e consolida a experiência, proporcionando a geração de idéias novas.
Todas as formas de canto religioso (hinos, salmos, mantras, canto gregoriano, bem como o som dos tambores indígenas, os atabaques nos terreiros de umbanda), são exemplos de experiências feitas com sons com o objetivo de alinhar nossas ondas mentais nas freqüências adequadas para capturar os padrões energéticos capazes de intensificar a energia espiritual.
Da mesma forma, hinos e marchas são canções compostas com a finalidade comover e dirigir as pessoas para um determinado fim. Quem não se sente comovido ao ouvir o hino nacional do seu país ou uma canção em particular, que esteja associada com alguma experiência significativa em sua vida?
Os hindus têm na sílaba OM um mantra para acessar as partes mais profundas do inconsciente, onde se situam as raízes da nossa ligação com a divindade. Eles dizem que esse som, pelas suas características vibratórias, abre as portas da percepção e facili-ta o ingresso da mente em estados alterados de consciência, nos quais é mais fácil recuperar e modificar a informação que gera nosso comportamento.
Em termos de PNL diríamos que essas manifestações são âncoras sonoras com as quais os estados internos propícios à cria-tividade são acessados com mais facilidade.

2. Âncoras sonoras ― os sinos

O sino é o instrumento da espiritualidade por excelência. Está ligado ao arquétipo do Visionário pela sua capacidade de levar o ouvinte a acessar estados internos mais profundos. Não foi a igreja Católica que inventou o sino como instrumento para chamar os fiéis. Os padres apenas descobriram que eles atendiam melhor ao som desse instrumento do que de outro qualquer. O som de um sino, pela sua característica vibratória de alta freqüência, tem a propriedade de abrir caminho à nossa visão interior. É uma poderosa âncora sonora.

3. Meditação e contemplação

A meditação abre as três portas da percepção da nossa mente, que são a porta dos símbolos, a porta das lembranças e a porta das associações.
Símbolos são representações pictóricas dos nossos conteúdos mentais. São os nossos desejos, temores, crenças e valores expres-sos em forma de imagens. É uma forma de linguagem neurológica visual.
Lembranças são acessos conscientes que a mente faz aos registros das nossas experiências.
Associações são ligações entre informações registradas na nossa mente. Podem ser conscientes ou inconscientes. A mente é una e nada do que ela manifesta é desvinculada do universo. Ela mantém sempre uma relação com o todo, embora nem sempre essa relação seja evidente.
Meditar é diferente de raciocinar. Na meditação nós deixamos a mente trabalhar livremente para que ela, sem direcionamen-to nem controle, possa acessar os nossos registros mentais, conscientes e inconscientes, e assim fazer associações sem constrangimento de nenhum tipo. É nesse momento que as intuições, a cria-tividade e as iluminações ocorrem.
O acesso ao arquétipo Visionário ocorre através da meditação, de preferência, caminhando. Outras formas de meditação que ativam esse arquétipo são as ações de cozinhar, fazer trabalhos de artes manuais, jardinagem, natação, etc. Neste caso o que importa é o movimento, pois ele inibe a razão e facilita a liberação dos con-teúdos inconscientes. Certos tipos de jogos, como o xadrez, dama, golfe, pela ludicidade e descontração que provocam, também facilitam o acesso ao Visionário. Da mesma forma, tocar um instrumento musical nos leva aos mesmos resultados.

4. Preces e orações

Meditar é ouvir o que diz o nosso inconsciente. Orar tam-bém é uma forma de falar diretamente com ele. Em termos de religião isso equivale a uma prece, na qual podemos falar com Deus por que Ele está em comunicação direta com o nosso in-consciente.
Dizemos isso porque pensamos que Deus não se comunica com a nossa razão. A razão nos leva a duvidar, porque ela é fruto da lógica e a lógica é limitada ao tamanho da nossa linguagem; já a mente inconsciente nos leva a crer, por que ela admite a existência do maravilhoso, do bizarro, do incognoscível. Ela não precisa do recurso da linguagem para saber que além daquilo que a nossa mente consegue representar existem muitas coisas mais.
A mensagem de Deus e as fórmulas pelas quais Ele cria as realidades fenomênicas do mundo estão gravadas no nosso inconsciente na forma de símbolos, leis naturais, noção do certo e do errado, conceitos do bem e do mal, etc.. Decoficá-las e transformá-las em informações é o trabalho dos cientistas e dos profetas. Cada qual com seu método, mas ambos igualmente certos. Ou não.
A meditação é uma forma de acessar o inconsciente e recuperar a integridade da mensagem. É um mergulho na nossa interio-ridade, para de lá emergir com novas informações que podem modificar o entendimento que delas arquivamos na Razão.
Há três tipos de oração: oração de pedir, de venerar e de agradecer. A de pedir é quase sempre uma prece dirigida, formulada pela consciência, pois se refere a um objeto definido e específico que temos em mente. É um desejo ou uma aspiração que queremos ver realizados, ou um agradecimento pelo que já se realizou.
A prece não dirigida não visa um resultado específico. Ela é um pedido para que o inconsciente (ou a divindade) nos ofereça uma orientação. O Pai Nosso que Jesus nos ensinou é uma prece não dirigida, pois embora haja um conteúdo específico na sua formulação – o pedido do pão nosso de cada dia – ela deixa a forma e o quantum de atendimento para a decisão da divindade. (seja feita a Vossa vontade).

5. Ludicidade

Jung acreditava que o nosso arquétipo Visionário poderia ser acessado com mais facilidade quando nos entregamos a atividades lúdicas ou infantis. Construir castelos de areia, casinhas, desenhar, brincar com coisas que nos façam regredir aos nossos “eus” anteriores é uma boa maneira de fazer isso. Uma de suas práticas terapêuticas mais comuns era fazer o cliente regressar aos primeiros anos da sua infância para recuperar a criança que havia dentro dele.
Nos anos sessenta a cultura hippie cultivou a prática de viver o máximo possível junto à natureza, na tentativa de recuperar a inocência e a criatividade que eles achavam que o ser humano havia perdido com seu exagerado amor pela tecnologia, pela lógica e pela materialidade. Hoje, os campings, as caminhadas na mata, os retiros solitários no campo e nas praias desertas, os passeios por lugares inóspitos, etc. são muito eficientes para abrir o acesso ao nosso arquétipo Visionário.
Da mesma forma, as grandes empresas hoje buscam ambientes naturais para realizar treinamentos, seminários e reuniões, pois da desvinculação física com seus ambientes de trabalho, a relação mais próxima com a natureza facilita a liberação da capacidade criativa dos participantes.
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DO LIVRO CÓDIGOS DA VIDA- ED. CLUBE DOS AUTORES, 2011
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 17/07/2012


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