João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


O PODER DO MITO

 

Nações, Estados, Corporações, Igrejas, são estruturas imaginadas., construídas com base em mitos criados pela mente humana. Nações se fundamentam no muito da unidade política, Estados se fundam no mito da organização, Corporações no mito de um objetivo comum, Igrejas no mito de uma crença compartilhada e por aí adiante. A própria história da espécie humana foi construída com base no mito de que os seres humanos foram criados por um poder maior chamado Deus e de que, partindo desse princípio único, haveria uma ordem natural a reger a saga da humanidade em direção a um fim determinado.

É com base nesses princípios imaginados pela mente humana que construímos todas as nossas estruturas e por elas lutamos, vivemos e morremos. Marx, Engels, Stalin, Mao Tsé Tung, Fidel Castro e outros líderes que implantaram o comunismo em seus países, por exemplo, não acreditavam em Deus. Eles diziam que os mitos religiosos haviam sido impostos ao homem pelas classes dominantes para poder ter sempre um contingente de mão de obra barata (servos, escravos ou proletários) para trabalhar para elas. E a religião, com seus sacerdotes, sempre foram aliados dos donos do poder, agindo para perpetuar essa estrutura de exploração das classes menos favorecidas.

Por isso, quando tomaram o poder eles substituíram o deus mitológico dos sacerdotes, que governava pelo espírito, por outro deus mitológico, o Estado, que governava através da burocracia. Jeová, Jesus, Alá, Brhama, seja qual for o nome do deus deposto por Marx e seus seguidores, perderam o seu trono para o novo Deus, o Estado, mas os marxistas não contavam com o poder de reação dos deuses depostos. Eles não sabiam o quão profundas eram as raízes da árvore psicológica que o mito da estrutura imaginada implantou na mente humana, fazendo-nos crer que somos frutos de uma criação divina e que não podemos, assim sem mais nem menos, banir das nossas consciências o Deus que nos criou e sustenta toda a estrutura na qual vivemos.

Os comunistas modernos já perceberam esse erro e sabem que não adianta lutar contra um mito enraizado na mente e no coração dos seres humanos. E então procuraram fazer uma acordo com ele. Aprenderam que é preciso dividir o governo da humanidade com ele. Nesse sentido estabeleceram uma espécie de monarquia parlamentar onde Deus é o Rei e o Estado é o Primeiro Ministro. Deus reina mas não governa. As velhas constituições, tipo Código de Hamurabi, O Decálogo de Moisés, o Código de Manu, que teriam sido outorgados pelos próprios deuses, foram substituídos por modernos ordenamentos jurídicos, ditados pelos governantes da hora e garantidos pelos poderes do Estado. Todos dizem crer e obedecer a Deus, mas vivem mesmo sob a tutela de Estado e a este dão a sua fidelidade na medida em que ele satisfaz os seus desejos.

Esse novo estamento parece ser tão prático que mesmo os liberais, que sempre satanizaram o comunismo como se ele fosse uma invenção do próprio Diabo, parece que estão descobrindo a excelência dessa prática. Pois ela pode ser identificada na nova aliança que os políticos da direita radical estão fazendo com os praticantes do Evangelho da Prosperidade, pregado pelos chamados neopentecostais. Bolsonaro, por exemplo, virou evangélico por necessidade, assim como outrora, o Imperador Constantino adotou o Cristianismo por mera necessidade política.

Veja-se a propósito, as pregações dos missionários da mídia eletrônica, tipo Silas Malafaia, RR Soares, e outros. Nesse evangelho, Deus não é mais apenas o fiador de uma ordem natural que mantém o equilíbrio do universo, mas sim um distribuidor de benesses para aqueles que fizerem a sua vontade ̶   na interpretação dos pastores̶  , benesses essas que serão proporcionais à contribuição que fizerem para suas igrejas.

Nada diferente do que já foi no passado quando os sacerdotes judeus estipulavam o prêmio que Jeová daria aos seus fieis conforme o tamanho do óbolo que eles deixavam no tesouro do Templo (na verdade para os sacerdotes) ou então pelo vulto da contribuição que os paroquianos faziam para suas Igrejas, no caso da Igreja Católica (para sustentar um clero viciado e indolente).

Deus pode ser um mito, como dizem os marxistas e os evolucionistas mais radicais. Mas é um mito que nenhum ateu jamais derrubará. 

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 18/11/2025
Alterado em 18/11/2025


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras