A VOLTA AO VELHO OESTE
Phantly Roy Bean Jr. (c. 1825 – 16 de março de 1903), mais conhecido como Roy Bean, o Juiz Enforcador, era dono de um saloon e foi eleito como Juiz de Paz para o Condado de Val Verde, Texas. Foi um personagem bastante controverso, que se autodenominava "A Única Lei a Oeste do Pecos ". Embora não haja registros de que ele tenha, alguma vez, mandado enforcar alguém, ganhou fama de Juiz Enforcador por causa dos julgamentos sumários que fazia em seu saloon aplicando as mais estranhas penas aos acusados. Tornou-se um personagem lendário, em razão da estranha jurisprudência que aplicava em seus julgamentos, e sua vida já foi retratada em vários filmes de faroeste.
No Velho Oeste americano, roubar um cavalo ou um boi era um crime hediondo que geralmente levava o criminoso à forca. Muitas vezes bastava ser pego em flagrante para que ele fosse imediatamente pendurado na árvore mais próxima.
Era uma atitude perfeitamente legal o linchamento público de tais criminosos. Já matar uma pessoa num duelo na rua não era considerado crime. Ao contrário, vencedores de duelos com armas de fogo geralmente ganhavam fama e prestígio e eram celebrados nos cordéis da época, muitos deles, confessos ladrões e assassinos como Jesse James, Billy The Kid, Wiatt Earp, Wild Bill Hickoc e outros, se tornaram verdadeiros heróis, com suas vidas muitas vezes retratadas em livros e filmes de sucesso.
O Velho Oeste americano é geralmente retratado como uma terra sem lei onde o único respeito que imperava era a capacidade que um sujeito tinha para defender o que ele achava que era dele. É um comportamento que tem o seu lado romântico, por isso Hollywood sempre explorou esse ambiente como um filão inesgotável que captura o espírito aventureiro e machista do americano médio, que é inclusive refletido no hino nacional do país quando se fala dos Estados Unidos como "a terra dos livres e dos bravos".
Talvez por isso a política de Donald Trump em relação aos imigrantes que a sua polícia está expulsando do país, e aos supostos traficantes que as suas Forças Armadas vem matando no mar do Caribe não esteja causando muita indignação no povo americano. Afinal de contas, o costume de julgar sumariamente e executar supostos criminosos é uma tradição que tem raízes bastante profundas na cultura jurídica americana. Trump está apenas revitalizando esse velho costume que fez a fama do inefável juiz Roy Bean, citado no preambulo deste artigo.
Enforcar primeiro e julgá-lo depois, dizia-se que era o lema do bizarro juiz. E é exatamente isso que Trump está fazendo. Se os supostos traficantes que estão sendo bombardeados no Mar do Caribe são culpados ou não, isso é secundário. Os drones mostram cargas suspeitas em suas lanchas. Isso basta para serem condenados à morte. Sem julgamentos, sem direito à defesa, sem processo legal.
De qualquer modo, os Estados Unidos são a maior democracia do planeta. Os americanos ensinaram ao mundo que todos os homens são iguais e têm direito à procura da felicidade.
Agora, como se deve fazer isso é outra coisa. No Velho Oeste se fazia justiça com um revolver nas mãos. Trump faz a sua com mísseis e drones.