OS MENINOS DO BRASIL
O sequestro do ditador venezuelano pelas forças especiais do governo americano tem todos os ingredientes dos filmes que Hollywood andou produzindo nas últimas décadas. Ao que parece, não foi a primeira “extração” de um governo hostil aos interesses americanos no mundo, nem será a última. Eles já fizeram isso no Iraque, com Sadan Hussein, na Líbia, com Muamar Kadafi e, ao que parece já estão preparando algo parecido para fazer com o presidente colombiano, que na opinião de Trump e seus apoiadores, também comanda um cartel produtor e exportador de drogas para os Estados Unidos. E o Lula, se continuar com sua errática política externa de apoio a ditaduras de esquerda, também pode entrar nesse radar. Ele que se cuide.
A direita idiotizada da América Latina comemora a extração do ridículo e asqueroso ditador venezuelano, como se Trump estivesse fazendo um bem para a região. Já a combalida e obtusa esquerda critica a operação, vendo nela, além de um grande perigo para a paz regional, uma agressão injustificada e imprudente que poderá transformar a América Latina num novo Vietnam.
Pela primeira vez parece que ambos estão certos. Maduro é uma lepra que corroí a América Latina com seu regime corrupto e inepto. Tinha mesmo que ser deposto algum dia. Mas não desse jeito, através de uma intervenção estrangeira, perpetrada por um sujeito, que na verdade, não está nem um pouco preocupado com o sofrimento que o regime chavista impôs ao povo venezuelano, mas quer apenas tomar posse das imensas reservas de petróleo que aquele país tem. É um claro exemplo de pirataria que já levou o mundo a duas grandes guerras mundiais.
O comportamento americano lembra bastante o que Hitler fez no século passado, invadindo países vizinhos para criar o seu Lebensraum (espaço vital que ele achava que a Alemanha tinha direito). Naquela oportunidade, vários países que tinham governos alinhados à Alemanha também apoiaram as agressões alemãs, até o momento em que elas se voltaram contra eles.
Bom. Trump não pode ser acusado de hipocrisia ou de ser dissimulado. Ele falou mesmo que ia fazer isso. Que ia recuperar o Canal do Panamá, que pretendia tornar o Canadá um estado americano, que ia ocupar a Groenlândia, etc. etc. Os países latino-americanos que botem suas barbas de molho. Qualquer país que tiver recursos naturais que interessem ao Führer americano pode ser o próximo. Que os nossos fazendeiros e pecuaristas, que hoje se ufanam da nossa imensa produção agropecuária, e idolatram o presidente americano abram seus olhos. O imperialismo americano não têm amigos nem aliados. Têm interesses e farão qualquer coisa para defendê-los.
A propósito, lembrei agora de um romance escrito por Ira Levin nos anos setenta, chamado Os Meninos do Brasil. Nesse romance, o inefável Joseph Mengele, médico de Hitler (que por sinal morreu no Brasil), retirou algumas células do corpo do ditador alemão e com elas fez vários clones. Para garantir que os clones fossem criados exatamente como Hitler foi e desenvolvesse a mesma personalidade, ele espalhou os clones, ainda bebês, por várias famílias, no Brasil e nos Estados Unidos. Os clones são caçados pelos agentes israelenses e todos são eliminados. Menos um, que estava sendo criado por uma família americana.
Trump está fazendo oitenta anos em 2026. Faz exatamente oitenta anos que Hitler se suicidou no seu bunker. Como diz Jung, há coincidências que são significativas. E como diz Nietzsche, nós estamos condenados a viver o mesmo momento infinitas vezes. Deus permita que eles estejam errados.