João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


Sabemos que entre os planos de Trump para implementar a sua “América Great Again” é anexar o Canadá e torná-lo o 51º estado americano. O Canadá, aliás, juntamente com a Venezuela, tem as maiores reservas petrolíferas do continente. Justifica o olho gordo dos trumpistas. Mas Trump sabe que esse é um sonho quixotesco que dificilmente poderá ser realizado. É mais fácil fazer isso com a Venezuela, país fragilizado por um regime totalitário corrupto, criminoso e inepto, que transformou uma nação próspera e promissora em uma grande e abjeta favela.

A Venezuela de Chaves e Maduro não é nem a sombra do que era antes desses indivíduos. Sem contar os quase dez milhões de venezuelanos que deixaram o país para escapar da crueldade do regime chavista, os que lá ficaram hoje constituem um povo insatisfeito, com um governo contestado, lideranças odiadas e sem nenhuma perspectiva de futuro.

Por outro lado, a ideologia da direita avança na América Latina e tende a se consolidar ainda mais na medida em que Trump continuar o seu avanço predatório sobre os países que tem algum interesse econômico ou político para os americanos.

Trump sabe muito bem o que está fazendo. Se ele estivesse preocupado com questões ideológicas, com a liberdade dos povos que sofrem sobre regimes autoritários, ou qualquer outro motivo que não fosse a cobiça e a sua sede de poder, a sua primeira intervenção seria em Cuba. Mas Cuba não tem nada a oferecer à sua ganância, a não ser açúcar e charutos. Antigamente, antes do comunismo, tinha bons hotéis e cassinos, mas estes pertenciam a grupos mafiosos, que ao governo não interessava defender. Aliás, há quem diga que John Kennedy foi assassinado pela Máfia justamente porque deixou  que Fidel Castro tomasse esses ativos das famílias mafiosas em Cuba. Vá lá se saber.

Trump não vai cometer esse erro. Ressuscitar a Doutrina Monroe - América para os americanos- através do slogan “América Great Again” é exatamente o objetivo da sua política externa. E a América Latina, que sempre foi considerada uma espécie de “quintal” dos Estados Unidos é, naturalmente, o primeiro foco dessa política de domínio colonial.

Bom. Nada errado com isso. Afinal, ele tem apoiadores por toda a região. Há uma expressiva maioria (inclusive de brasileiros) que bem que gostaria que os Estados Unidos incorporasse os países da América Latina, fazendo deles mais alguns dos seus estados. Adorariam, por exemplo, ter uma passaporte ianque, mesmo que fossem olhados com desprezo e desconfiança ao desembarcar em um aeroporto americano. Mas como disse Winston Churchil, “os hindus ainda iriam chorar lágrimas de sangue por se libertar da tutela da Inglaterra. Assim como Hitler ele também acreditava que o mundo deveria ser governado pelos mais competentes.

Ele tinha suas razões para pensar assim. Já os hindus pensavam diferente e preferiram sofrer para encontrar o seu próprio caminho. Hoje a Índia acaba de passar o Japão como potência econômica e as previsões é de que se torne a terceira economia do mundo nos próximos cinco anos.

Chorar lágrimas de sangue talvez não seja tão ruim quando se trata de sangrar pela liberdade de traçar o próprio destino. É melhor jorrar sangue pelos olhos do que dar o próprio sangue para outros beberem. Porque isso se chama servidão. E ela não acabou no século XIX. Aliás, enquanto houver pessoas e povos dispostos a suportá-la ela continuará a existir.

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 05/01/2026


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