João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


Gilmar Mendes defende Toffoli; Fachin defende Gilmar e Toffoli. Os demais ministros do Supremo se recolhem e se blindam, como caranguejos dentro do seu buraco. Pudera. A Corte Suprema, como as demais corporações que detém poder não se peja de praticar o mais vergonhoso dos corporativismos quando se trata de defender o seu próprio traseiro.

Na verdade, a crise que afeta a Suprema Corte não é própria desse Colegiado mas de todo o sistema jurídico brasileiro. Sou profissional da área do direito há mais de 40 anos e nunca vi tantos magistrados sendo afastados de suas funções pela prática de corrupção e outros ilícitos. Frequentei tribunais e universidades, tanto como estudante como professor e não me lembro de nenhuma que tenha em seu currículo uma matéria que ensine ética, moral, decência, honestidade e outras virtudes que um profissional da área deveria ter como parâmetro para a sua atuação. Na verdade, todas esses termos, que definem conceitos elevados de caráter, foram substituídos pela palavra honorários. Talvez fosse de bom alvitre a OAB e outras organizações que administram o sistema começar a exigir das universidades uma carga de estudo em cima desses conceitos, que na nossa opinião, seria mais útil para o sistema do que as entediantes aulas sobre noções de justiça, as primeiras que são esquecidas quando o advogado entra no tribunal ou o julgador começa a ler o processo.

Certa vez perguntei a um colega, que havia sido magistrado e estava aposentado, advogando, porque aumentara tanto o número de magistrados afastados de suas funções por corrupção, venda de sentenças e outras mazelas. A resposta dele foi emblemática. “Porque não seria?” disse ele, “ a desonestidade compensa mais que a prática escorreita da profissão. Se o magistrado for pego com a mão na cumbuca ele não é punido, mas sim, premiado com aposentadoria integral. Além de ter a vida garantida, ele pode se dedicar à advocacia e ganhar mais dinheiro ainda. Com uma mamata dessas, só mesmo um verdadeiro estoico consegue resistir.”

Quanto ao Supremo Tribunal Federal o problema é recorrente. Nenhum dos magistrados que lá estão foi escolhido por causa do seu elevado saber jurídico, sua reputação ilibada e seu caráter pessoal. Foi guindado a esse posto porque era alinhado político do governo de plantão. Isso faz da Suprema Corte um prolongamento dos partidos que apoiam o governos que os indicou. Há quem diga que Dias Toffoli, por exemplo, a bola da vez, não conseguiu passar nem em concurso para delegado de polícia, mas como era, na época advogado do PT, foi levado por Lula à Suprema Corte. Não sei se isso é verdade, mas se for, está explicado por que a sua atuação no caso Master está causando tanta preocupação em Brasília, onde se diz que a dinamite que está nos alicerces desse imbróglio pode derrubar a metade do edifício da nossa  combalida República.

Gilmar Mendes defendendo o seu colega Toffoli não é estranho. Ele já foi acusado, inclusive por colegas do próprio Supremo, de ser um “santo protetor” dos criminosos de colarinho branco. Nesse caso ele só está fazendo o papel que ele mais gosta, pois colarinhos brancos não faltam nesse escândalo que promete ser o mais escabroso nos novos tempos da democracia. E que ao que parece não há inocentes nesse teatro de guerra. Esquerda, direita, centro, Legislativo, Judiciário e Executivo, Faria Lima e CIESP, para onde a gente volta os olhos tem rato tentando escapar, como se o pais fosse um Titanic que começa a afundar.

Que Deus nos acuda, mas se Vorcaro abrir a boca, não vai ter lugar para tanta gente na Papuda. Isso dá até letra de samba, mas a coisa é mais séria do que parece.

Ainda bem que está chegando o Carnaval. Vamos todos colocar nossas máscaras e fantasias. Quem sabe um pouco de ilusão e escapismo nos ajude a suportar mais um ano como boi nesse rebanho.

 

 

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 27/01/2026


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