João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


Enantiodromia é um termo que, em psicologia designa o ato de correr para o lado oposto daquele em que estamos, quando sentimos que está intolerável a situação que estamos enfrentando. É um termo criado pelo filósofo grego Heráclito e usado por Jung para explicar o estado mental de uma pessoa que se sente incomodada com o que está acontecendo e passa a desejar exatamente o contrário.

Enantiodromia ocorre frequentemente com indivíduos que adotam posições radicais e de repente se veem desiludidos porque suas crenças são desmentidas. Então, como a radicalização funciona nos dois sentidos – tanto para frente como para trás – ele correm em sentido contrário ao que iam antes.

Isso não acontece só com os indivíduos, mas também com a sociedade em geral. Principalmente em se tratando de política. E é isso que está acontecendo no Brasil. Saímos de uma ditadura militar que sufocou as liberdades democráticas durante mais de duas décadas e aprovamos uma Constituição tão liberal que chega a ser até libertina. Fomos de um extremo a outro sem passar por uma fase mediana que pudesse restabelecer o equilíbrio aos poucos, e de repente, percebemos que tínhamos escancarado a porta e permitido a entrada de elementos indesejáveis que poderiam estragar a festa democrática que esperávamos com a abertura política. Está aí o STF para comprovar esse fato. Há quem diga que trocamos a ditadura da farda pela ditadura da toga.

A vitória de um grupo de esquerda para governar o país é outro fato que mostra bem a situação de Enantiodromia que tomou conta da política nacional. O PT só ganhou as eleições porque o povo brasileiro ainda estava um tanto traumatizado pela camisa de força que a ditadura militar impusera ao país. A Constituição de 1988 e a consequente vitória das esquerdas foi uma corrida em sentido oposto, que nunca ocorrera antes na história do país, porque as oligarquias brasileiras, sempre alinhadas com a direita,  nunca deixou que acontecesse.

Mas de repente se percebeu que tínhamos avançado demais para a esquerda e precisávamos voltar para a direita para equilibrar o sistema. E foi onde o Bolsonarismo entrou para fazer esse papel. Mérito nenhum demonstrou para isso, mas ele era o outro lado. E foi para lá que boa parte do país correu em determinado momento, gerando um estado de antipetismo patológico que está mais para doença do que para ideologia de massa.

Tudo isso é normal em se tratando de política. O problema é que quando a mente coletiva de um povo entra nesse esquema sempre se corre o perigo de perder o ponto de equilíbrio da gangorra e ficar oscilando entre os dois extremos. Quando isso acontece as pessoas passam a escolher seus representantes mais pela vontade de fugir do lado que lhes parece ruim do que por achar que o outro lado é, de fato, melhor. ´

É o que está acontecendo agora. Se o PT perder a próxima eleição não será porque o Bolsonarismo tem um proposta melhor do que a deles, mas sim porque o eleitor acha o Lulopetismo muito pior. Dessa forma, a próxima eleição não será decidida pela adesão dos eleitores a um bom candidato, mas pela rejeição, maior ou menor que ele possa ter com eles.

Triste sina de um povo, ter que escolher o que acha ser o menos pior. Estamos naquela situação do sujeito que troca a esposa que o traiu por uma mulher que ele tira do bordel. Enantiodromia pura que só pode ser curada por um apelo à razão. Mas a razão nunca foi o fiel que calibra a balança da política. Por isso vivemos fugindo da frigideira para o fogo e vice versa.

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 15/04/2026
Alterado em 18/04/2026


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