João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


A SOMBRA DO DIABO

 

A política tem dessas coisas e passe o tempo que passar, são os mesmos arquétipos que a informam. Maquiavel já havia dito isso e suas especulações sobre exercer o poder e mantê-lo é um tratado que poderia ser incluído na Bíblia ao lado do postulado eclesiástico que sustenta que nada de novo existe sobre o sol.

Tudo isso porque, como diz Jung, o Ego humano é uma espécie de sol que tem a propriedade de manter os planetas girando à sua volta, e quando ele não projeta sua luz sobre a superfície deles o que se forma é uma sombra que nós, aqui na terra, damos o nome de noite.

Há mais de sete séculos atrás, precisamente numa sexta-feira, 13 de outubro de 1307, uma poderosa organização de monges guerreiros – a Ordem dos Templários- que durante dois séculos havia dominado a cena política, econômica e militar na Europa Ocidental foi desbaratada em uma única noite. Um complô orquestrado pelo rei da França Filipe IV, em conluio com o Papa Clemente V, levou os famosos monges guerreiros à fogueira da Inquisição, acabando com o poder da Irmandade e confiscando a sua imensa riqueza.

Várias acusações pesaram na balança contra os Templários, mas o que os perdeu mesmo foram as narrativas de que eles eram heréticos e adoravam um ídolo demoníaco chamado Bafomet. Essas notícias fizeram com que uma população, que tinha nos Templários uma preciosa ajuda para minorar as suas dificuldades, já que o Templo era o principal responsável pelos programas sociais da época, se voltassem contra eles e vissem até com prazer os líderes da Irmandade estrebuchando nas fogueiras.

Bafomet, segundo os acusadores dos Templários era o demônio responsável pela riqueza que eles possuíam. A crença era a de que eles tinham feito um pacto com esse demônio para que ele lhes proporcionasse riqueza e poder. E por conta disso, uma organização que, historicamente, pode ser considerada como a grande responsável pelas ideias que proporcionaram o renascimento cultural do Ocidente desapareceu da forma mais cruel que se pode imaginar. Por isso, a sexta-feira 13 até hoje, assombra o espírito de muitas pessoas.

Essas elucubrações me vieram à cabeça ao ver as notícias dos jornais de hoje que dão conta que a família Bolsonaro tinha no banqueiro Daniel Vorcaro, responsável pela maior fraude financeira da história econômica do país, um amigo de cama e mesa. E que ele andou derramando rios de dinheiro, não só nas atividades dos Bolsonaros (como o filme que vem sendo feito para homenagear o Bolsonaro pai), como também tem investido pesado na compra de políticos da direita e da esquerda.

Vorcaro, como se sabe, tornou-se o demônio do qual todo político quer manter a maior distancia possível. Essa distância, hoje, é o inverso ao quadrado daquela que todos mantinham quando o banqueiro estava distribuindo os seus milhões. Ele era o ídolo a quem todos prestavam reverência, por isso nós o comparamos ao Bafomet dos Templários.

Dizem que os Templários também adoravam o Sol, que eles chamavam de Abraxas. E quando a noite descia, trazendo a escuridão, eles praticavam os seus rituais satânicos em louvor à Bafomet, cuja sombra aparecia na parede dos cubículos onde eles eram realizados. A analogia é válida neste caso. O que os políticos fazem na sombra, se forem expostos à luz só podem projetar imagens satânicas mesmo.

Falando em sombra, tenho a impressão de que quando Flávio Bolsonaro olha para a sua na parede, o que ele vê é uma cabeça cornuda sorrindo sarcasticamente para ele, pois, como disse um dos inquisidores dos Templários, quem aperta a mão do Diabo, acaba assumindo a forma que ele tem.

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 14/05/2026
Alterado em 14/05/2026


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