João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


O ÓDIO E O AMOR NA POLÍTICA

 

Poucos profissionais de psicologia ousariam discordar de Jung quando ele fala da enorme influência que a anima e o animus exercem sobre a nossa estrutura psíquica. Esses dois aspectos que simbolizam a nossa natureza dual, podem ser considerados como polos positivo e negativo da nossa libido e são informantes bastantes influentes do Eu. Representam, na filosofia chinesa, os aspectos Yin e Yang, características femininas e masculinas da nossa psique, ou a luz e a escuridão da filosofia maniqueísta. Convivem, em eterna oposição, nos porões do inconsciente, mas, como se fossem uma plutocracia poderosa e convincente,  eles “fazem a nossa cabeça”, ditando nossas crenças e valores, sem que a nossa consciência se aperceba disso.

Anima e animus são arquétipos, na terminologia junguiana. Sua principal característica é a repressão dos opostos. Um “machão” pode olhar para uma mulher como objeto de desejo mas logo pensará em incorporá-la em seu acervo com mais um bem adquirido. Reprimirá sua sensibilidade e olhará, por exemplo, para um homossexual como se ele fosse alguém que está praticando um crime contra a natureza. A sua sensibilidade reprimida se torna uma “sombra” que o incomoda e constrange. Da mesma forma, a mulher dita feminista, que reprime a sua parte masculina tenderá a criar uma “sombra” no seu inconsciente que cobrará dela um preço bem alto em termos de saúde psíquica. Ambos, o machão e a feminista, se um dia tiverem coragem de encarar suas “sombras”, serão ótimos candidatos ao homossexualismo.

Anima e animus também são importantes informantes da nossa psique social. Principalmente no campo da ideologia e da política. Jung, ao analisar o comportamento dos simpatizantes de ideologias totalitárias, como o nazismo, o fascismo e o bolchevismo, viu que essa tendência de amar de paixão um lado e reprimir o outro, é um comportamento aberrante que tem origem exatamente na influência desses arquétipos. Muitas vezes, não abraçamos uma ideologia porque vemos nela as virtudes que gostaríamos de ver implantadas na sociedade, mas sim porque não estamos gostando do que os nossos adversários estão fazendo.

Grosso modo, é o que parece estar acontecendo no Brasil hoje. É do conhecimento geral que a Família Bolsonaro é uma cria da política contaminada pelo crime e pela corrupção que foi instituída no Rio de Janeiro depois que a ditadura militar acabou. Lá, como se sabe, milicianos, traficantes, falsos evangélicos e outras estruturas do crime organizado tomaram conta do Estado e ditam as regras. Mas o bolsonarismo ganhou adeptos no país inteiro e eles não questionam a origem espúria desse movimento. Eles representam o lado oposto “disso que está aí.” É o típico caso em que a psique é informada mais pela repressão do oposto do que pelas virtudes que a nossa escolha possui. Isso transparece, por exemplo nos discursos dos supostos candidatos da direita, para os quais o importante é derrotar o Lula e o PT. O resto é secundário. Ética, moral, competência, honestidade, tudo fica para depois.

Tudo bem. Não tenho qualquer simpatia pelo Lulopetismo, mas confesso que tenho muito medo das decisões que são informadas mais pelo ódio do que pelo amor. O amor une e constrói, o ódio separa e destrói.

Como diz um renomado poeta, o amor é cego, mas é ele que nos leva ao Paraiso. O ódio também é cego, mas ele só conhece o caminho do inferno.

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 18/05/2026
Alterado em 19/05/2026


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