O FRUTO DO CONHECIMENTO
O lugar em que moro não tem aonde,
Não me dou nome e não tenho preço;
Só o que mostro é o que me esconde,
Eu não existo, mas sempre aconteço.
É que me visto com todos os matizes,
Assim ninguém vê a cor que eu tenho;
Como um duende cavalgo o arco-íris
E só vou no momento em que venho.
Porque comi o fruto do conhecimento,
A sabedoria adquirida já não me ajuda,
A ciência enganosa é o meu tormento;
Quis encher minha alma de luz, e vede,
Só uma sombra horripilante e cornuda,
Apareceu, bailando e rindo, na parede.