Que a família Bolsonaro tem uma fixação que poderíamos chamar até de libidinal com os Estados Unidos, especialmente com a figura do psicopata que governa aquele país, nos parece incontestável. Dá para entender. Como ensina Jung, nenhum ser humano é suficientemente poderoso para arrogar independência completa de um poder maior que ele, e quanto mais bisonha é a sua personalidade, mais está sujeito a uma força arquetípica que agirá sobre a sua mente. E se ele não tiver um mínimo de energia psíquica para buscar a sua própria individuação, ele tenderá a ser um escravo psíquico de alguém mais poderoso que ele. Submissão aos pais, submissão a Deus, submissão a um líder, são comportamentos normais para todo ser humano. Mas é o grau dessa submissão o grande problema da humanidade, pois é ele que determina os limites de livre arbitrio de uma pessoa, e por extensão de um povo.
Flávio Bolsonaro tem se mostrado um idiota congênito que herdou as piores qualidades do pai, que é a irresponsabilidade moral pelas coisas que diz e faz. Pior para ele e seus seguidores, pois com as besteiras que está fazendo, vai entregar de mão beijada a eleição para o Lula.
Essa briga entre ele e sua madrasta está mostrando a verdadeira cara dessa família tóxica de arrivistas que se apossou do pensamento liberal e procura vender aos eleitores a ideologia de autoritarismo e liberalismo irresponsável de quem pensa que basta a um país alcançar uma alta taxa de crescimento no seu PIB para que todos os problemas sejam resolvidos. Essa era a ideologia dos governos militares que infestaram a América Latina nos anos sessenta, setenta e oitenta e se exauriram nas suas próprias contradições. Bolsonaro e seus partidários arrivistas parecem querer insistir nesse modelo, mostrando que não aprenderam nada com as lições da História. Rezam pela cartilha de Delfin Netto, que dizia que o que importa é fazer o bolo crescer. Quem vai comer é outra história.
A Família Bolsonaro, com seus apoiadores mais radicais (banqueiros, grandes empresários do agronegócio, líderes evangélicos das seitas neopentecostais, etc), são os principais pregadores desse credo, que repudia os programas sociais e as medidas estatais que procuram compensar as diferenças que as condições de nascimento, e a própria sociedade, promove entre as pessoas. Parecem não saber, ou ignoram de propósito, que as pessoas não são iguais e que a medida de energia psíquica que cada um hospeda em seu aparelho neurológico não se mede pelos mesmos padrões. Por isso acham que os pobres são pobres porque querem, ou que todos são vagabundos que se encostam nos programas sociais porque não querem trabalhar. Não negamos que possa haver quem assim se comporte, mas generalizar esse comportamento, nos parece, é fruto de uma mente egoísta e mesquinha que não faz jus nem à sua própria história de vida, pois se fossem intelectualmente honestos, reconheceriam que ninguém se fez sozinho.
Esse conflito entre o enteado e a madrasta desse clã mafioso mostra bem o caráter rançoso dessa família que só se meteu na política por causa do poder que ela pode lhe dar. A deletéria campanha que os dois filhos do Bolsonaro fazem contra o país, exacerbando a já entranhada má vontade que Trump e seus correligionários sempre mostraram contra os povos latinos em geral, é uma prova de que eles pouco se lixam para os eleitores que eles pretendem enganar para que votem neles.
Que o Brasil merece coisa melhor do que Lula e os petistas no poder, é difícil não concordar. Mas entregar o poder para um idiota congênito que gostaria de fazer do país mais uma colônia americana, vai uma distância quilométrica que nem com a maior boa vontade dá para admitir.
É por isso que dá entender as pesquisas que colocam Lula como favorito nas próximas eleições. Mesmo com a fama de corrupto que o PT tem granjeado (fama merecida, aliás, pois todo dia um petista é apanhado com as mãos sujas), o povo parece pensar que ele é mal menor do que um Bolsonaro entreguista, que além de tudo, ainda tem mostrado ser possuidor de um caráter duvidoso, como o que tem sido revelado pelas relações pouco republicanas que mantém com banqueiros ladrões, lideres evangélicos vigaristas e outras criaturas sombrias que militam nesse contaminado ambiente político que essa malfadada polarização entre dois extremos igualmente contaminados, nos legou.
Com tudo isso estamos frente a uma verdadeira Escolha de Sofia. Que Deus nos ajude.