João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


O COMPLEXO DE ZEUS

Zeus, na mitologia grega, era considerado o pai dos deuses. Ele era a maior autoridade no panteão dos deuses olímpicos, sendo pintado como o manipulador dos raios(ou seja, da energia) com os quais premiava ou castigava quem o homenageasse ou dele discordasse.

 Uma das principais facetas da personalidade de Zeus é a sua conhecida tendência para a “galinhagem”. Ele pegava todas. Até as próprias irmãs. Daí as suas aventuras eróticas terem produzidos diversos descendentes divinos e humanos, conhecidos como heróis,  tais como Atena, Apolo, Ártemis, Hermes, Perséfone (com Deméter), Dioniso, Perseu, Héracles, Helena de Troia, Minos, etc.

Deuses e humanos dirigiam-se a ele como Pai de todos, e reverenciavam-no como o mais poderoso dos deuses. Por isso ele tornou-se, nas teorias que estudam a psicologia do inconsciente humano, um arquétipo que representa a figura de um poderoso rei que vive num castelo em cima do mundo (o Olimpo), e sua única preocupação é conquistar e exercer o poder a todo custo sem se importar se para isso tem que infringir sofrimento a quem quer que seja.

Psicologicamente Zeus poderia ser considerado um indivíduo paranoico, com sentimentos a flor da pele, autoritário, narcisista, incoerente, como uma pessoa que fala uma coisa de manhã e desmente o que disse à noite. E principalmente não é fiel a ninguém, a não ser aos seus próprios desejos. Por isso comete tantos desmandos e não sente nenhuma culpa por isso. Próprio de psicopatas também, aliás.

Se você já identificaram alguém com essa descrição é porque estão bastante atentos aos nossos problemas do dia a dia. Aliás, o Complexo de Zeus é coisa bastante comum, principalmente entre pessoas que militam na política. O poder é o maior causador desses delírios de grandeza que acometem quem é guindado a um cargo que lhe confere autoridade sobre coisas e pessoas.

Donald Trump sofre claramente do Complexo de Zeus. Aliás, até nas regras da Copa do Mundo ele procurou interferir, como Zeus fazia nas Olimpíadas, tentando favorecer seus protegidos. Tanto que fez o submisso presidente da FIFA anular um cartão vermelho que havia sido dado a um jogador americano num dos jogos da Copa. O castigo veio a cavalo, pois os americanos levaram uma homérica surra da Bélgica no jogo seguinte.

Para se compensar desse revés ele mandou atacar de novo o Irã. Zeus também fazia isso. Quando alguém o contrariava, ele logo partia para uma nova aventura. O Zeus americano não pode ficar de fora do noticiário. Se não consegue de um jeito, arruma outro modo de aparecer e mostrar seu poder. E como ele, Trump também é um baita “galinha”, pois já teve até que pagar indenização por conta de suas aventuras amorosas.

O pior de tudo isso é que ele reúne em torno de sí um séquito de “deusinhos” bajuladores, que vivem lambendo suas botas em busca das migalhas que caem da sua mesa. Temos lá os Bolsonaros, os Milei, o Bukele de El Salvador e outros capachos que gostariam de ver seus países se tornando colônias americanas.

Decididamente Jung estava certo em suas controvertidas teorias. A coisa mais difícil para as pessoas é conseguir trabalhar com os arquétipos que o Inconsciente Coletivo da humanidade hospeda e se livrar das limitações que crenças estereotipadas colocam na nossa cabeças. Não é a toa que o mundo está nessa loucura.   

 

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 09/07/2026
Alterado em 09/07/2026


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