O FIM DA REELEIÇÃO.
O candidato Flávio Bolsonaro disse que, se for eleito, vai acabar com o instituto da reeleição. O que será que ele quis dizer com isso? Que ele não se candidataria a um segundo mandato, ou simplesmente acabaria com as eleições? Afinal de contas, para se atingir esse resultado ambas as hipóteses são perfeitamente cabíveis.
Dado o caráter do candidato e o histórico dessa família, não há como não pensar na segunda hipótese como raiz dessa declaração. A história do Bolsonarismo não nos deixa pensar em outra coisa. Os Bolsonaros são os lídimos “órfãos” da Ditadura Militar e bem que gostariam de herdar esse espólio, para, a partir dele, iniciar uma espécie de dinastia que reviveria esse negro período da história política brasileira. Prova disso nos deu o “Mito” no seu mandato, preenchendo a grande maioria dos cargos do Executivo com militares. Estava, evidentemente, preparando o terreno para o golpe que daria se fosse reeleito. Foi frustrado pela vitória do seu adversário, o que motivou a sua revolta contra o Supremo Tribunal Federal, responsável pela soltura do Lula e a sua participação nas eleições que ele acabou perdendo.
Ninguém, com um mínimo de seriedade intelectual, duvidaria que a baderna armada pelos bolsonaristas no dia 8 de janeiro de 2023, que resultou no quebra-quebra de Brasília, foi uma tentativa de golpe que só não se concretizou porque os comandantes das Forças Armadas não aderiram ao canto do cisne bolsonarista. Os ingênuos apoiadores do “Mito” acabaram presos, inclusive o seu próprio líder, que embora tivesse se ausentado do país para criar um “álibi”, não conseguiu enganar os magistrados do Supremo, que diga-se, a bem da verdade, também exacerbaram nos seus julgamentos, movidos mais por sentimentos pessoais do que pela verdade dos fatos. Afinal de contas o crime não se concretizou e as penas não precisavam ser tão duras assim.
Mas com tudo isso não duvidamos que a proposta do Filho Nº Um, quando diz que não pretende se reeleger, esteja mesmo pensando em acabar com as eleições, se tornando um ditador perpétuo, como pretendia o seu pai. Afinal, o que essa família sempre quis mesmo é o poder. E para isso fará qualquer coisa, inclusive submeter o país à tutela de uma potência estrangeira, como já deu mostras que fará, se for eleito.
Destarte, acabar com a reeleição torna-se apenas um questão de semântica. Basta retirar o “re” da palavra e fica o dito pelo não dito, ou ao reverso, o não dito pelo que foi dito. Se formos punidos com esse infausto (a volta dessa família ao poder), bastará dizer que nós é que ouvimos errado. Ele não disse que iria acabar com a reeleição, mas sim com a eleição. Afinal, o resultado é o mesmo.
A propósito, quem quer apostar que ele contestará o resultado das urnas eletrônicas se perder e apregoará a excelência delas se ganhar?