João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


Toda vez que vejo Donald Trump aparecer no noticiário ele está fazendo ameaças a alguém ou a algum pais. Alguém já disse que ele é próprio arquétipo do deus Marte. Para mim ele se parece mais com a Besta do Apocalipse. E se podemos ir mais longe com a nossa imaginação, diríamos que Netanyahu, Putin, King-Jon-Un e os aiatolás do Irã (sejam eles quem forem) são os quatro cavaleiros que precedem a Besta.

Não importa se uns estão a favor e outros contra a Besta. O resultado que eles estão trazendo para a humanidade justificam a analogia. Quem achar que estamos dizendo disparates fica, de antemão, perdoado. Eles têm direito à sua opinião, assim como eu tenho o direito de imaginação. E nesse direito, não posso deixar de argumentar que o irascível autor do Apocalipse estava apenas antecipando as descobertas de Jung, que denunciou a existência de uma estranha fauna de tipos psicológicos vivendo nos porões da nossa consciência. Fauna essa que ele chamou de Arquétipos.

Arquétipos são símbolos ligados à nossa origem e interferem na formação da nossa personalidade. Dizem que a nossa mente é uma tábula rasa ao nascermos, uma folha em branco em que tudo pode ser escrito. Jung diz que isso só é parcialmente verdadeiro. Existe sim, uma história que nós construímos, mas nem sempre o enredo é traçado pela nossa vontade. Existem forças desconhecidas que atuam dentro de nós, forças que nem sempre conseguimos controlar. Não podemos deixar de ter medo de raios até integrar em nossa consciência que eles só são perigosos em determinadas condições. Não podemos simplesmente deixar de pensar se Deus existe ou não, mesmo que afirmemos que não acreditamos na sua existência. Nascemos com a propensão de procriar, porque essa intuição tem a ver com uma ideia de imortalidade que já vem instalada em nosso aparelho psíquico ao nascermos. Nenhuma dessas intuições arquetípicas são adquiridas por força da nossa própria existência histórica, mas sim, atributos de origem da espécie.

São João Evangelista deve ter “pescado” os seus sinistros personagens no mar do oceano arquetípico que Jung trouxe para o conhecimento humano. Por isso, quem acha que o Apocalipse é apenas um conjunto de alucinações medradas na mente de um psicótico fanático, está muito enganado. Ele apenas teve as mesmas intuições que o médico suíço teria dois mil anos depois, e as registrou na linguagem cabalista que ele dominava e usou para disfarçar a suas confabulações, que se fossem entendidas pelas autoridades seculares, certamente lhe custaria a cabeça. Já Jung, que não estava submetido a esses constrangimentos, pode dar nome aos bois sem precisar de disfarces.

A propósito, Nostradamus não fez menos do que isso. Também “pescou” no oceano escuro das nossa fauna inconsciente as suas profecias. Bom cabalista que era, não deixou por menos. Usando os artifícios que permitem esse tipo de linguagem, ele cunhou um dicionário de antecipações que se encaixam em qualquer dos acontecimentos que a História registra, bastando para isso que alguém tenha imaginação suficiente para ver neles a projeção que o mago francês fez.

É nesse sentido que Trump pode, muito bem, ser visto como a Besta do Apocalipse, como também já se viu esse arquétipo hospedado na pessoa de Hitler, Átila, o Huno, Gengis Kan e outros genocidas pelo mundo todo. E para que o padrão não fosse quebrado, sempre que uma Besta apocalíptica nasce no mundo, seguem-se a ele os quatro medonhos cavaleiros. É nesse modelo que se enquadram Mussolini, Stalin, Mao TséTung, Pol Pot e outros sanguinários ditadores que espalharam a guerra, a peste, a fome e a morte pelo mundo.

Se os nossos cavaleiros apocalípticos de hoje, e a sua correspondente Besta quiserem tirar de seus cangotes essa imagem constrangedora, ainda tem tempo. Eles estão vivos. Basta apenas se tornarem humanos.

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 20/08/2026
Alterado em 20/08/2026


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