Não adianta dizer que é religioso quando não se tem moral nem vergonha na cara. Lula se diz católico e Bolsonaro Filho evangélico. Grande coisa. Isso nada vale quando o principal alicerce da sua vida psíquica é o apego ao poder.
O horário político e as comemorações de Sete de Setembro estão mostrando uma realidade assustadora. O horário político foi feito para que os candidatos apresentem suas propostas de governo e mostrem ao povo suas competências e habilidades para ocupar os cargos que estão pleiteando. Já o Sete e Setembro é uma data cívica que deveria ser usada para emular o sentimento patriótico do povo brasileiro e elevar a sua autoestima por viver em um país independente e democrático.
Mas o que se vê é exatamente o contrário. Os candidatos transformaram um e outro em motivo de enxovalho, desprezo e irritação para qualquer pessoa que gostaria de ver o seu voto levado a sério. É só xingamento, manifestações de ódio, difamação do adversário e narrativas mentirosas, além da exaltação do próprio ego inflacionado pelas mentiras que cada um conta sobre si mesmo.
O mote do momento é a crise do Supremo Tribunal Federal. Todo mundo está usando o desconforto que dois ministros, ambos claramente parciais e envolvidos com irregularidades, estão causando com o uso indevido de seus cargos para proteger o candidato de suas preferências.
Não interessa a verdade dos fatos, mas apenas usar o assunto para derrubar o adversário. Isso mostra bem a qualidade do caráter desses indivíduos que estão se propondo governar o país. E mostra bem o que nos espera.
Nenhum deles se salva, mas são justamente os dois principais candidatos que estão com o pé mais fundo nesse jaca podre. Exatamente Flávio Bolsonaro e Lula, que são os maiores responsáveis por ela. Não custa lembrar que foi exatamente o pai do Flávio Bolsonaro que deu início a essa crise ao provocar o STF com a sua mentirosa acusação de fraude nas eleições. E antes disso, o imbecil do filho dele, o Eduardo, já havia dito que o pai fecharia o STF com um cabo e dois soldados. Ganhou, de graça, a oposição do Tribunal, com a sua boquirotisse.
Mas não só. Transformou o STF num comitê político botando lá o “terrivelmente evangélico” André Mendonça, que foi, nada mais, nada menos, o seu advogado geral quando era presidente. Antes já havia colocado lá o obscuro Nunes Marques, que ele foi pescar lá no Piauí, só porque ele “rezava” pelo seu evangelho. Os dois estão mais para políticos comprometidos com um partido do para magistrados.
E Lula, para não ficar para trás, enfiou lá mais dois “soldados do PT”, Zanin e Dino. Além dos que já tinha. E o Supremo, que devia ser o elemento de equilíbrio institucional do país tornou-se exatamente o peso que pode derrubar a nossa combalida democracia. Foi assim que essas duas “tranqueiras” que a política brasileira produziu nestes últimos tempos deram início a uma crise institucional que a gente não sabe como vai terminar.
Quando os santos brigam existe Deus para apartar. Mas quando a briga é entre “coisas ruins” o diabo é que vai arbitrar. Os próximos quatro anos prometem muita água suja e excrementos passando por baixo da nossa ponte.