João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


O CORINTHIANS, O BRASIL E O STF- JUNG EXPLICA

 

Karl Gustav Jung, o famoso psicólogo e psiquiatra suíço, acreditava que existe no universo um sistema de coincidências significativas que ligam acontecimentos aparentemente desconexos entre si. Se, por exemplo, você sonhar com um amigo que não vê há muito tempo e de repente, ao sair na rua encontra justamente ele essa é uma coincidência significativa; ou se for quase atropelado por um automóvel ao atravessar uma rua, e ao chegar em casa encontrar uma multa de trânsito debaixo da porta, o universo está mandando um recado para você. Fique atento.

Jung chamava essas coincidências de sincronicidade. Ele justificava isso com a crença de que a nossa mente é formada por dois substratos: um, que é a parte consciente, onde os pensamentos refletem e ganham corpo e a outra é uma parte inconsciente, onde toda a nossa vida psíquica é gerada. É dessa parte oculta, que ele chamou de Inconsciente Coletivo da Humanidade, e Platão chamava de Mundo Ideal, que nos vêm as noções sobre a alma, sobre religião, Deus, as premonições, as sensações que a gente não consegue explicar, enfim, tudo aquilo que para ele, era a fonte da energia psíquica (tipos psicológicos) que nos dá a vida. Para as religiões, de uma maneira geral, é o que chamamos de mundo espiritual. É uma forma de energia comum a todos os seres vivos e se manifesta com mais intensidade nos seres humanos. É como se fosse uma "alma mater", uma alma do mundo, da qual todos participamos.

Dito isso, confesso que ontem à noite eu estava feliz. Fiz uma panela de pipocas e sentei-me no sofá, exatamente às 21:30 para ver o meu Timão jogar e passar para a fase semifinal da Taça Libertadores. Tinha certeza que seriam favas contadas, porque afinal, os “Hermanos” nunca estiveram tão ruins assim em termos de futebol.

Mas já de início me veio um estranho incômodo quando vi a escalação do time; era a mesma que não conseguiu ganhar um jogo nas últimas sete partidas que disputou. Primeira sincronicidade: o jogo já estava na metade do primeiro tempo e nada do time jogar. De vez em quando a câmara da TV batia na cara do treinador Fernando Diniz e não pude deixar de pensar na cara do Gilmar Mendes, com aquela boca de lábios convexos, trêmulos de ódio ao xingar o seu “terrivelmente evangélico” colega na seção do STF na última terça-feira. Segunda sincronicidade: lembrei-me que a Arena do Corinthians (que não é do Corinthians, mas da CEF), foi construída na gestão do presidente Andrés Sanches, um petista vigarista que por conta disso elegeu-se deputado e nunca apresentou um único projeto de lei, mas roubou tudo que podia do Clube. Terceira sincronicidade: é exatamente a Arena que colocou o Corinthians nessa situação de insolvência, com presidentes e diretores processados e ameaçados de prisão. Sincronicidade: o STF está passando por uma crise igual. Alguns ministros viraram caso de polícia por conta do Banco Master e os outros parecem o Conselho Administrativo do Clube. Mais omissos e descomprometidos do que os Macunaímas da vida.

Quarto elo nessa cadeia de coincidências significativas: Lula e Alexandre de Moraes são corintianos. Um afunda o país com sua política de presidente de Clube de Serviços e outro afunda o STF com a sua imoralidade.

Por fim, o jogo estava acabando, eu já conformado com a desclassificação e aí vem o pênalti, aos 50 minutos do segundo tempo. Botaram o jogador mais importante do time para bater; um estrangeiro que nos próximos dois anos vai levar (se conseguir receber) mais de cem milhões de reais. Era uma chance que o céu nos concedia, talvez uma última sincronicidade para compensar o rosário de coincidências funestas que eu observara até então. E o danado isolou a bola mandando a bichinha quase para fora do Estádio.

Por fim o último sincronismo: o Brasil é uma grande nação e talvez não caiba no poço sem fundo que alguns ministros do STF e as duas pragas políticas (Petistas e Bolsonaristas) trouxeram para o país; o Corinthians também é uma grande nação com mais de trinta milhões de torcedores e ainda não coube no buraco que as diretorias incompetentes e corruptas cavaram para o Clube. Mas tudo tem limite. Se a terra que esse bando de vigaristas está tirando de baixo de nossos pés não for colocada num terreno compacto sob os quais alicerces seguros possam ser erguidos, tanto o Clube do Povo quanto o nosso amado país acabarão sendo transportados para o mundo dos arquétipos de que fala Jung. O Brasil como a utopia que nunca se realizou e o Corinthians como um sonho que aparece na nossa mente apenas como um pesadelo. Mitos que ninguém vai conseguir provar que eram o que dizem que eram.

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 17/09/2026
Alterado em 17/09/2026


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