Em sã consciência, se alguém me disser que o Lula nunca foi o candidato dos seus sonhos, serei obrigado a concordar. Dos meus ele também nunca foi. Sigo sua carreira desde os tempos em que ele era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e vivia promovendo greves com fins mais políticos do que corporativos, sempre visando mais a sua própria carreira política do que o interesse dos seus correligionários.
Nunca gostei da ideologia que ele diz professar, embora desconfie que ela não corresponda exatamente ao que ele realmente pensa. Provou isso quando conseguiu, finalmente, realizar o seu sonho de se tornar o primeiro mandatário do país. Nos dois primeiros mandatos que exerceu, não falta quem diga que ele foi mais neoliberal do que socialista, e dificilmente, a vista dos fatos, se provará o contrário.
Não há nada de estranho nisso. Afinal de contas, mais do qualquer outra coisa, Lula é um animal político. E quem dizer que político se guia por ideologias, mesmo os que parecem ser mais radicais, corre o risco de queimar a língua. Duvido muito que se alguém tivesse conseguido vender uma ideia melhor para Lenin, Stalin e os lideres soviéticos que implantaram aquele tenebroso regime na Rússia em 1917, eles teriam transformado mais da metade da Europa naquele grande campo de concentração que foi o regime bolchevista. O mesmo se pode dizer de Fidel Castro e seus seguidores. A propósito, não falta quem diga que o culpado pela implantação do regime comunista em Cuba foi a cegueira política de Jonh Kennedy, que não percebeu que os cubanos queriam apenas se livrar do seu tirânico ditador Fulgêncio Batista, que governava a ilha como se ela fosse uma fazenda da sua propriedade, e arrendada aos grupos mafiosos dos próprios Estados Unidos.
O perigo de que Lula implante uma espécie de socialismo no Brasil, temor que assombra a cabeça torta dos radicais de direita, só cabe mesmo na cachola de pessoas que não tem a mínima perspectiva da cultura política do país em que vivem. Lula não é comunista nem socialista. O “ista” que cabe para ele é o de oportunista.
Nada de mal nisso. Todo político o é. Em maior ou menor grau. Se alguém conhece um político que não seja, que nos seja apresentado. Ficaríamos imensamente contentes em conhecê-lo.
Como disse, Lula não tem a minha simpatia. Não ele, em si, mas as plataformas políticas que o apoiam não me convencem. O socialismo que eles dizem defender, para mim, é muito mais populismo do que outra coisa. Da mesma forma que os pretensos liberais (muitos dos quais ontem apoiavam o Lula) nada tem de conservadores. São apenas defensores do que “vier e der”. Olham o mundo da perspectiva do próprio umbigo, e o resto é apenas o resto...
Fica o dilema: trocar um personagem cuja história a gente já conhece e sabe no que vai dar por um aventureiro com um passado sinistro e obscuro como o de Flávio Bolsonaro será uma boa opção? Daqui a três dias teremos que começar a decidir isso e o que temos a mão não nos dá muita chance de escolha. Alea jacta est.