João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


Flávio Bolsonaro votou a favor da Escala 6x1 depois de reiteradamente criticar a proposta. O que o fez mudar de opinião a respeito é o desgaste que certamente ele teria junto ao eleitorado trabalhador. Simples oportunismo eleitoreiro, como aliás também foi o de Lula ao lançar a proposta em plena campanha eleitoral.

Políticos não tem bandeiras, nem ideologias, nem qualquer tipo de coerência quando se trata de enganar o eleitor para conseguir o seu voto. Aliás, foi Hitler quem disse isso, quando confrontado por alguns cientistas que queriam sua opinião sobre determinada questão: “tanto pode ser uma coisa como outra porque, em política, a coerência é um vício mortal” respondeu ele.

Pode ser. Político não pode mesmo ter opiniões formadas sobre coisa alguma porque, no momento seguinte, pode ser forçado a mudá-las. Eles são, no jocoso termo cunhado por Raul Seixas, verdadeiras metamorfoses ambulantes.

De Flávio Bolsonaro não se poderia esperar outra coisa. Ele é um mentiroso compulsivo que diz uma coisa de manhã e outra a tarde. Tão logo disse que votaria a favor da Escala 6x1, e começou a receber as críticas dos empresários que arcarão com os custos dela, ele já prometeu que, se eleito, a revogará imediatamente. Por que fazer para depois desfazer? É como casar-se com uma prostituta no sábado para satisfazer uma parte da opinião pública e se divorciar dela no domingo para agradar a família.

Como conviver com tamanha incoerência? E como pensar em entregar o comando do país para um sujeito que diz uma coisa de noite e pela manhã desdiz tudo que disse?

Estamos no mato sem cachorro. Espremidos, como mortadela num sanduiche, entre um populista demagogo e um mentiroso de carteirinha que já foi acusado de praticar “rachadinha” e pegar dinheiro  de banqueiros criminosos. Também já se aventou a possibilidade de que ele tenha ligação com milicianos, coisa que não foi provada, mas também nunca foi devidamente desmentida. Aliás, Flávio classificou o PCC e o CV como facções terroristas, a pedido do seu ídolo Donald Trump, mas estranhamente, deixou de fora os milicianos. Por que será?

Temos que escolher um ou outro. Simplesmente não votar não nos isentará da responsabilidade de termos entregue o país a uma facção ou outra. Afinal de contas não temos como impedir que um dos dois venha a sentar na cadeira de presidente nos próximos quatro anos. Ou por muitos anos, se lembrarmos que o próprio Flávio anda dizendo que pretende acabar com a reeleição. Se ele tiver as mesmas intenções do pai isso pode bem significar um novo golpe para liquidar de vez a democracia. Afinal, numa cabeça tão cheia de incoerências tudo é possível.

Espero, com toda sinceridade, poder voltar a este Recanto daqui a alguns anos para dizer que estava errado. O farei com muito prazer e humildade, porque a única coisa que eu nunca desejei na vida é ter razão nas minhas intuições. E eu também não tenho nenhum problema em mudar de opinião quando vejo que aquilo que eu pensava estar certo, na verdade estava errado. Minha medida é o resultado. O certo e o errado é questão de opinião; resultado é fato. Por isso vou esperar para ver. E torcer, sinceramente, para que meus receios sejam infundados. Convençam-me Lula, ou Flávio, com resultados. É só que espero de vocês. 

 

 

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 15/10/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras