João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


Uma anedota antiga diz que Deus, quando começou a distribuir os recursos naturais pelos lugares da terra ele privilegiou o território onde mais tare seria o Brasil. Colocou aqui os maiores rios, as mais densas e verdejantes florestas, as jazidas minerais mais ricas, terras raras e praias deslumbrantes, além de abençoar o território com climas amenos, nenhum distúrbio climático, nenhum terremoto e um solo extremamente generoso, onde plantando tudo dá.

Um anjo, ao observar esse festival de bondades do Senhor, que parecia o Lula nos últimos dias da eleição, reclamou: Senhor, por que tanta bondade com esse território? Está botando tudo de bom lá. E os outros? Deus respondeu: você ainda não viu o povinho tinhoso que eu vou botar para morar lá.

Á luz dos atuais acontecimentos é difícil tomar isso como piada e não como uma verdade recorrente. Parece mesmo que o povo brasileiro faz de tudo para justificar esse estigma de ignorante teimoso. Lembro-me da primeira eleição para presidente em 1989, quando estávamos saindo de uma ditadura que durou mais de duas décadas. Tínhamos nove candidatos. Alguns deles, como Mário Covas, Ulisses Guimarães, Leonel Brizolla e Aureliano Chaves eram políticos experientes que haviam se destacado durante a ditadura como defensores da democracia e tinham ótimos currículos  para assumir o cargo.

Mas os eleitores mandaram para o segundo turno os dois piores candidatos, que eram Fernando Collor e Lula. Collor ganhou a eleição graças a um golpe baixo de última hora. Pagou à ex- mulher do Lula para que ela fosse à televisão dizer que ele havia abandonado ela e uma filha ao Deus dará. Lula estava subindo nas pesquisas, mas acabou perdendo por causa dessa "fake news," Collor assumiu e deu no que deu. Não conseguiu governar dois anos.

Agora temos de novo uma campanha cheia de golpes sujos. De ambos os lados. Nenhum dos dois candidatos apresentou, até agora, propostas viáveis para resolver os problemas do país. Só promessas vazias, de conteúdo eleitoreiro, e acusações destinadas a desconstruir a imagem do outro. Triste perspectiva para um país rico e promissor, mas tão vulnerável por falta de lideranças capazes.

As pesquisas indicam que Flávio Bolsonaro vencerá as eleições. Não dá para confiar em pesquisas, mas se estiverem certas, talvez estejamos repetindo os resultados de 1989, elegendo outro Collor de Mello. A semelhança entre as pessoas de Flávio e Collor, bem como os discursos, o histórico e o currículo de ambos chama a atenção. Collor não estava preparado para governar um país tão complexo como o Brasil. Flávio também parece não estar. Fora isso, tem a gente que o cerca. Os oportunistas do PL, os falsos evangélicos do movimento neopentecostal, sem falar da banda podre da política carioca, onde sem dúvidas encontraremos os tais milicianos que os adversários dele tanto falam. Para piorar aparece o tal Willer Tomaz, tido como amigo próximo dele. O cara lembra o PC Farias do Collor. E a tal Daniela Marques, que, ao que parece, será a ministra que cuidará da economia no mandato de Flávio, não sei por que, me lembra a Zélia Cardoso de Mello.

Tudo isso é muito preocupante. A vida ensina, a história ensina, a natureza avisa, mas a gente não aprende. Nietzsche e o Eclesiastes tem razão. Parece mesmo que temos viver infinitas vezes o mesmo momento e nada há de novo sob o sol. Deus ajude o Brasil. 

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 22/10/2026
Alterado em 22/10/2026


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