João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


As eleições acabaram e finalmente a vida política do país pode voltar ao normal. Ainda bem. O festival de insanidades que tomou conta do Brasil nos últimos tempos deixaria perplexo até o nosso velho Stanislaw Ponte Preta, jornalista acostumado com a desinteria mental que costuma atacar a mente dos nossos políticos nessas ocasiões. Tanto que ele cunhou a jocosa expressão “festival de besteiras que assola o país.”

A vitória do Lula não foi uma surpresa, a não ser para os bolsonaristas radicais, que nunca conheceram de verdade o povo brasileiro, porque só concentram seus interesses no Sul e no Sudeste do país, como se essas regiões fossem a única que abriga brasileiros dignos de serem considerados. Se tivessem um pouco mais de visão histórica e social, teriam percebido que um sujeito como Flávio Bolsonaro, populista demagogo, com um passado para lá de suspeito, além de mal preparado, jamais teria condições de vencer Lula, um “macaco velho” da política, que disputa eleições desde 1986, quando disputou o governo de São Paulo. Ele, mais que ninguém, na cena política brasileira, aprendeu a tocar o berrante para conduzir uma boiada, coisa que os Bolsonazis nunca aprenderão.

A direita brasileira precisa rever as suas estratégias. Mais que tudo, tem que escolher lideranças mais consistentes, com um discurso agregador, ao invés de ficar destilando ódio e divisão. Principalmente, precisa largar a alça do caixão da família Bolsonaro e buscar uma liderança mais viável. Os Bolsonaros são tóxicos e contaminam tudo com a sua ideologia de ódio e confronto, que mais divide do que agrega. O país precisa de paz para trabalhar e progredir e não de confrontação e cizânia. Se os Bolsonaros fossem verdadeiros evangélicos, saberiam o que diz a Bíblia sobre esse comportamento desagregador que eles trouxeram para o cenário político do país: pois como diz o Eclesiastes, quem perturba a paz da sua casa, herdará o vento.

A propósito, Lula foi eleito mais graças ao ódio do que ao amor. Se Flávio ganhasse também seria o ódio que o teria elegido. Pois a rejeição de ambos ultrapassava a metade dos eleitores do país. Ganhou o menos rejeitado. Esse estado psicológico que se instalou no cenário político brasileiro precisa ser superado. Mas não o será enquanto Lula e Bolsonaro forem os protagonistas. Não se trata de ideologia mais sim da influência arquetípica que esses dois indivíduos projetam na mente de parte do nosso povo, certamente porque suas figuras e seus discursos simbolizam estados psicológicos que incomoda as duas partes sem que elas saibam porquê. Lula, talvez, pelo complexo de aporofobia que boa parte da elite brasileira sofre. Aporofobia, como se sabe, é a doença do personagem Caco Antibes que o ator Miguel Falabella interpretava na antiga série da TV  “Sai de Baixo.” Define-se pela frase “tenho horror a pobre”. O inconsciente da elite brasileira não consegue aceitar que um “pau de arara” como o Lula seja o principal mandatário do país. Do outro lado, o temor da ditadura que os Bolsonaros projetam no inconsciente de parte do povo faz com eles sejam temidos como diabos. Pau de arara de um lado, pau de arara de outro. Os símbolos são poderosos. Jung explica.

Como se sabe, os arquétipos determinam, muitas vezes, os nossos comportamentos. E influências arquetípicas só conseguem ser superadas quando elas se tornam conscientes. Mas esse não é o caso do povo brasileiro. Pelo menos por enquanto.

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 26/10/2026
Alterado em 26/10/2026


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