João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


O que acontece a um trabalhador que abandona o emprego e desaparece sem dar satisfações a ninguém? Certamente seria despedido por justa causa, teria seus salários suspensos e se estivesse sendo investigado por algum crime teria sido colocado numa lista da Interpol como procurado pela Justiça.

Flávio Bolsonaro, o covarde fujão é o protagonista desse filme. Depois de perder uma eleição que havia comemorado como ganha, deu-se conta que todas as vigarices que cometeu para tentar se eleger, aliada a sua natural imbecilidade (que aliás é de família), poderia lhe trazer muitos constrangimentos e possivelmente o levaria para fazer companhia ao pai na cadeia.

Então o poltrão resolveu fugir. Ótimo para a direita brasileira, que tem agora a chance de se livrar dessa lepra corrosiva que é o bolsonarismo e buscar lideranças mais decentes e confiáveis para realizar o seu projeto político.

Jair Bolsonaro era um deputado obscuro e desconhecido até as eleições de 2018. Até então era lembrado só pelas diatribes que vociferava contra o suposto comunismo que o PT queria impor ao país. Elogiava a Ditadura Militar e pregava a volta do regime castrista. Seu herói era Ulhoa Canto, coronel torturador que deixou um rastro sinistro durante o governo militar.

Venceu as eleições de 2018 graças a dois acontecimentos: a prisão do Lula e uma facada que um idiota petista lhe deu num comício que ele estava fazendo em Juiz de fora. Não fossem esses dois infaustos ele nunca seria eleito e jamais teria se tornado um líder da direita radical. Porque méritos para isso nunca teve.

As bases políticas que suportam a família Bolsonaro sempre foram obscuras. O simples fato de elas terem  respaldo nas facções que dominaram o Rio de Janeiro (especialmente as milicias, cuja origem é a face corrupta da polícia carioca), é uma sombra que dá a essa família um contorno sinistro e constrangedor.

A vitória dos democratas nos Estados Unidos, podando a crista autoritária e arrogante do psicopata republicano que governa os americanos, e a crescente rejeição que o aloprado Milei na Argentina vem acumulando em razão da sua política insensível e predadora (como costuma ser a política dos radicais de direita, sustentada pelo complexo da aporofobia ( horror ao pobre), surge como um contundente aviso a todos aqueles que ainda pensam que basta engordar o PIB para tornar um povo feliz.

Riqueza só traz felicidade quando é compartilhada. Quando ela é canalizada para meia dúzia de pessoas enquanto o resto come dos restos que caem da mesa dos convivas, o resultado é o que a História cansa de nos ensinar, mas a gente nunca aprende. As multidões que estão invadindo as ruas das principais cidades da Europa para protestar contra seus governos e as reações dos eleitores americanos contra a política segregadora, elitista e autoritária de Donald Trump, é mais uma dessas lições dizendo que o povo, mais certo ou mais tarde, sempre se levantará contra qualquer forma de tirania que se apoie no suposto direito dos “mais competentes”. Mas nós vivemos repetindo esse erro. 

Quando a nossa casa é destruída por uma catástrofe podemos fazer duas coisas: sentar, chorar, inventar justificativas e desculpas, como fazem os bolsonaristas inconformados, ou por mãos à obra e reconstruí-la, mais bela, com alicerces mais fortes e maior, para caber mais aliados. É o que a direita brasileira devia fazer agora. Mas para isso é preciso encontrar lideranças mais confiáveis e agregadoras, que saibam construir sua plataforma política em cima de ideias e propostas, ao invés de ficar só incitando o ódio ao adversário.

O ódio pode nos dar algumas vitórias. Mas ele nunca servirá de base para uma construção segura, porque sempre provocará uma reação em contrário. Essa é uma lição que serve também para o Lula. Se fizer como os Bolsonaros, incentivando a polarização e a divisão do "nós" contra "eles", sua história e a de seu partido acabará em 2030. 

Isso é inevitável. Como a ciência econômica nos ensina, um país é constituído por empresas e famílias. E para isso é preciso que haja dois lados que se associam.   

 

 

João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 04/11/2026
Alterado em 04/11/2026


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